Como é costume desde que namoramos, Júlio sempre vem passar o fim de semana em minha casa. Poucas vezes ficamos na casa dele. Eu prefiro assim, pelo menos tenho minhas coisas à mão, meus cremes, perfumes, sem contar que nunca sei com que roupa quero sair. Já os homens são mais práticos com estas coisas. Sempre estão prontos.
Sábado à noite, jantamos fora. Fomos a um restaurante de comida italiana em Santa Felicidade. Cozinha italiana é a minha perdição. AMO! Estava gostoso, conversamos sobre um monte de coisas e daí fomos para minha casa, namorarmos um pouco, afinal ninguém é de ferro. Eu não sei o que está acontecendo, mas sinto ele um pouco diferente, ele era mais carinhoso, mais cuidadoso comigo. Parece não se importar mais com meu prazer. O pior é que em vez de eu conversar isso com ele, eu fico com receio, sei lá, de magoá-lo talvez. E o pior ainda é que eu acabei tendo de fingir mais uma vez... isso está se tornando uma constante. Não acho isso legal. Não posso continuar assim, tenho que conversar com ele. Eu estava em minha cama, e olhei para ele dormindo. Hoje é domingo e já são dez horas. Vou levantar-me, e pelo que conheço do Júlio ele vai até o meio-dia. Ele é médico cardiologista, tem 35 anos. Tem uma carreira de sucesso. Tem o consultório e trabalha em mais dois hospitais. Às vezes ele tem de fazer plantão nos finais de semana, pelo menos um por mês. Quase não tem tempo para ele. Mas ele adora ser médico. Diz que era sonho de criança.
Fui pra cozinha providenciar o meu desjejum. Combinamos de ir ao cinema no final da tarde. Vamos ao Shopping Estação. Eu gosto de lá, mas gostava bem mais antes da reforma que fizeram. Agora ficou com cara de shopping mesmo e o que não falta nessa cidade é shopping center. Antes tinha aquele ar bucólico de uma antiga estação de trem da cidade. É, a modernidade vai tomando conta de tudo!
Enquanto tomava meu café da manhã, lembrei-me de Marta. Que situação, trombar com o estande das latas de leite condensado. Nossa, quando eu vi aquilo acontecendo, desci as escadas com uma rapidez impressionante. Poderia ter me machucado também. Nunca me aconteceu isso de trombar, mas acho que se acontecesse ia ficar com uma vergonha imensa. Fiquei com pena dela naquele momento. Ela estava vermelha de vergonha. O máximo que eu poderia fazer era tirá-la dali, porque as pessoas ficam olhando e acabam constrangendo mais ainda a pessoa. Gostei de conversar com ela. Espero que ela realmente apareça para tomar um cafezinho, é uma companhia agradável. Quem sabe poderemos ter uma bela amizade. E com este pensamento na cabeça passei o meu domingo.
---------------------------
Segunda-feira. Adoro este ar da fazenda. Hoje de manhã fiz um passeio a cavalo juntamente com alguns hóspedes. Neste exato momento, estou deitada numa rede embaixo de algumas árvores, como isso é bom. São 4 horas da tarde, o tempo está firme e ensolarado, e claro, quente também. Acho que vou aproveitar e vou tomar um banho de piscina. quem sabe eu consigo uma corzinha desta vez... porque todas as outras tentativas deram em nada. Fiquei foi vermelha feito um pimentão. É, pele branquinha igual a minha não dá pra insistir, ah, como eu queria ter uma corzinha mais pra chocolate. Mas não adianta, sou branquela e pronto!
D. Helena disse-me que Fabiana deve retornar à fazenda na quarta-feira. Estou ansiosa para conversar com ela e matar as saudades da minha amiga. Crescemos juntas, fazíamos cada arte por esta fazenda. Lembro-me de uma delas, quando queríamos despistar o Jeremias, que vivia insistindo pra ficar com a gente e nós querendo mais privacidade para termos "assunto de mulher". Tínhamos 13 anos e armamos de prendê-lo dentro do paiol, onde era guardado o milho para alimentar as criações. O coitado ficou lá, preso quase a tarde inteira. Quase apanhamos por causa disso, mas que foi divertido, foi! Ri sozinha. Os meus pais e os pais de Fabiana são “cumpadres” de casamento. Quando eram solteiros, faziam as suas festinhas juntos.
Fabiana sabe que sou lésbica, quando contei a ela disse-me que não se importava, desde é claro, que eu não me apaixonasse por ela, porque o negócio dela era homens, nada de mulheres! E não queria ver a melhor amiga pendurada por causa dela. Essa minha amiga é um figura! Muito doida. Mas amo ela.
Estou aqui melecada de protetor solar, deitada na cadeira. Ai ai... ô vida boa essa!! Faz 10 anos que resolveram abrir o hotel fazenda. Idéia da D. Helena, mulher visionária. Começaram com 5 cabanas, hoje tem 28, e tem que reservar com antecedência, por que senão corre-se o risco de ficar sem. Fim de semana é uma loucura, mas é uma delícia. Existem duas cabanas que são flutuantes, nunca teria coragem de ficar nelas, mas são disputadas. Fica no lago que fica em frente às cabanas. Cada cabana tem sua garagem, e é equipada com uma cozinha com fogão, geladeira, pia, armários e mesa com cadeiras. Tem um beliche e no quarto tem uma cama de casal e tem um banheiro. Cabem 4 pessoas. São feitas de madeiras, bem rústica. Ano passado fizeram um campo de futebol e uma cancha de bocha. O pessoal da cidade vem passar o domingo aqui, como se fosse um clube, pois tem piscinas. Uma das coisas que eu adoro fazer, além do passeio a cavalo, são as trilhas. Uma delas dá para um pequeno riacho que tem uma cascata d'água. É a minha preferida. Amanhã cedo vou fazê-la.
Terça-feira de manhã. Estou a caminho da minha trilha favorita. Ela fica abaixo desse morro, e tem que descer uma escadaria com 116 degraus. Para descer é uma beleza, todo santo ajuda, mas para subir... bom, é ótimo pois vale como exercício. A trilha ladeia a encosta do morro e vou descendo cada vez mais até chegar ao riacho. Ai, aqui é uma paz imensa, amo este pequeno lugar. Sentei-me numa pedra e fechei os olhos. Comecei a lembrar do meu último relacionamento. Conheci a Amanda através de uma amiga minha, a Vanessa. Foi na festa de aniversário dessa amiga. Olhares pra cá, olhares pra lá e logo estávamos atracadas num papo interessante. Foi uma afinidade imediata. Em poucos dias já estávamos namorando e em menos de três meses estávamos morando juntas. Ah, isso me faz lembrar daquela piadinha infame: O que uma lésbica traz no segundo encontro? A mudança. Soltei uma gargalhada. Se alguém me visse ali naquele instante iria imaginar que eu estivesse louca. Vivíamos bem, mas depois descobri que Amanda sempre foi galinha. Me traiu diversas vezes. E eu achava que ela era apaixonadíssima por mim, bom pelo menos me fazia crer que era. Tinha ido fazer a minha especialização em São Paulo, pois um fim de semana por mês eu precisava comparecer nela. Mas dessa vez, retornei mais cedo. Era para ter chegado no domingo à noite e cheguei domingo de manhãzinha. Morta de saudades da minha morena. Quis fazer uma surpresa a ela chegando mais cedo, por isso não a avisei. Entro pé ante pé e vou até o quarto, mas quando chego na porta ouço gemidos e sussurros. Gelei! Não era possível. Abri a porta suavemente sem fazer barulho e vejo minha mulher amando outra em nossa cama! Foi insuportável ver aquilo. Uma dor lacerante no peito. Queria gritar, queria machucá-la, bater nela. Mas contive-me, fiquei ali observando até que seus corpos se saciassem e aplaudi. Aplaudi muito! Amanda levantou lívida da cama, não acreditando que eu estivesse ali. A outra começou a catar sua roupas pelo chão e a vestir apressadamente. Eu encarava apenas Amanda. A outra que se danasse! Esta saiu porta afora quase me atropelando e saiu do apartamento. Amanda começou a me dizer que não era nada daquilo que eu estava pensando. Soltei uma gargalhada histérica nessa hora. E disse que pegasse as coisas dela e que fosse embora dali. Não a queria mais ali. Ela chorou, pediu perdão, mas não quis saber. Disse que arrumasse suas coisas e saísse ainda pela manhã, pois eu iria sair e só retornaria mais tarde e que ela não estivesse ali quando eu voltasse. Quando voltei ela tinha feito isso. Deixou um bilhete dizendo que pegaria depois o restante das coisas que não levara naquele momento e ainda teve a cara de pau de dizer que iria me reconquistar. Pois sim! Ela tentou voltar algumas vezes, mas fui irredutível. Mais tarde vim saber que ela sempre me traía. Que aquela não era a primeira vez. Doeu saber disso. Você entrega o seu coração a uma pessoa achando que vai ser eterno, ... mas não é.
Mas chega de pensar nisso. Isso só me traz sofrimento. Quero pensar em coisas alegres. Estar aqui neste pequeno pedaço do paraíso me traz uma paz imensa. Adoro refletir sobre minha vida aqui. Gosto de fechar os olhos e ouvir o canto dos passarinhos, o barulho que a água faz correndo... adoro essa comunhão com a natureza. Me renova, me rejuvenesce, me revive.
Lembrei-me da ruiva, Joanna, nome lindo, aliás tudo nela é lindo. E tem um perfume maravilhoso, diria inebriante. Preciso traçar um plano para vê-la mais vezes. Quem diria, eu que odeio supermercados, traçando um plano para freqüentá-lo mais vezes. Ri sozinha. É, mas estou encantada, estou de quatro.. de quatro?!?!? É, estou definitivamente de quatro por esta mulher. A mulher do supermercado! Cabelos de fogo... é isso... um fogo... um fogo incontrolável que eu sinto quando a vejo. Isso é paixão, amor, sei lá... nunca me aconteceu antes ficar assim. Só sei que nunca senti algo tão forte assim antes. Mas tenho medo, medo de machucar-me novamente. Tenho medo de botar todas as fichas e sofrer uma decepção. Já tive uma recentemente e ainda estou me reerguendo. Nem sei se ela gosta de mulheres, e eu aqui já pensando em beijá-la, amá-la. Dei um sorriso triste. Levantei-me, resolvi voltar, tomaria um banho e iria encarar aquele “engordativo” café colonial e esperar Fabiana que chegaria amanhã.
domingo, 30 de setembro de 2007
sábado, 29 de setembro de 2007
4 - As férias
A semana transcorreu normalmente, e finalmente chegou o domingo. Atendi o Sr. Alfredo e fui para casa, terminar de arrumar minhas malas, e finalmente iria para minhas férias. Seria muito bom este tempo comigo mesmo. Preciso disso pra reorganizar algumas coisas internas. Quando cheguei na garagem tive a impressão de ver a ruiva saindo de carro. Imediatamente lembrei-me do incidente do pneu, quando imaginei ter visto ela. Ri sozinha. Isso já está virando mania. Tudo pronto, carreguei o carro e saí rumo ao meu hotel fazenda preferido. Ah, esqueci de dizer, é a fazenda de uma amiga de família. Praticamente cresci lá. É como se fosse o meu refúgio, e sempre que preciso recarregar minhas energias é pra lá que vou.
Cheguei no meu paraíso. Estava com saudades dos meus amigos. Eles adoraram a idéia de eu passar minhas férias com eles. Eles me lembram o aconchego de família. Já que colinho de mamãe só tenho quando vou para Joinville, em Santa Catarina, onde meus pais moram. De repente me deu uma saudade imensa deles. Talvez antecipe a saída da fazenda e vou ver meus velhos. Era uma ótima idéia.
Estacionei o carro, e fui até a recepção do hotel. Lá estava Jeremias, um rapaz de 30 anos, um faz-tudo na fazenda, como costumo chamá-lo.
- Boa tarde, Jeremias. Como você está, homem? Cumprimentei-o.
Ele abriu um sorriso imenso ao ver-me e veio abraçar-me. Nos conhecemos praticamente desde criança. Ele nasceu na fazenda, seus pais já trabalhavam nela.
- Boa tarde, mas que maravilha você por aqui Marta. Estava com saudades suas. Tá todo mundo te esperando ansiosamente. Seja bem vinda minha querida. E deu-me um beijo na bochecha.
Retribuí sapecando um beijo na sua bochecha também.
- Já chegou e nem me disse nada, né minha menina. Era a D. Isabel, a responsável pelo motivo de eu voltar sempre alguns quilinhos mais gorda para casa. Uma simpática senhora de 54 anos. Já trabalhava na fazenda tinha quase trinta anos. Sempre brincava dizendo que já era patrimônio da fazenda.
Corri para abraçá-la. Eu gostava tanto de estar ali. Ia ser ótimo. Já fazia alguns meses que eu não aparecia por aqui. Estava com saudades.
- Como você está D. Isabel? Humm... estou com vontade comer aquele bolo de cenoura com cobertura de chocolate que só você sabe fazer. Falei dando uma gargalhada.
- Eu estou bem. É só pra isso que você vem aqui né minha menina. Agora, vou te contar um segredo. Falou baixinho no meu ouvido. - Fiz o bolo e tá lá esperando ser devorado por você. Não resisti e dei um gritinho de felicidade.
- Então o que nós estamos esperando, eu quero é comer um pedaço dele agora mesmo. E saímos em disparada para a cozinha.
Já devidamente satisfeita da minha vontade de comer aquele manjar dos deuses. Perguntei:
- E a D. Helena e a Fabiana, onde elas estão?
- Bom, a D. Helena foi visitar uma amiga dela na cidade, deve voltar mais a noitinha. Já a Fabiana viajou com o namorado dela. Pelo que sei volta na metade da semana. D. Helena não gostou muito dela viajar com esse rapaz não, sabe. O cara é muito folgado.
- Ah, D. Isabel, deixa disso mulé, fica se metendo na vida alheia. Falei dando um abraço nela.
- Mas é, o cara é muito do folgado mesmo. Não faz nada, só fica andando de carro pra baixo e pra cima. Não produz nada, não se interessa por nada, aliás, se interessa sim e acho que é pela fazenda que um dia vai ser da D. Fabiana. Ela que não abre o olho não.
- Ah, deixa disso mulé, a Fabiana já tem idade suficiente pra saber quem ela escolhe pra ficar do lado dela, e se conheço ela, pelo menos alguma qualidade ele tem. Ponderei.
- O seu quarto tá arrumadinho, vou pedir para o Jeremias levar as suas coisas pra lá.
Nunca me deixaram ficar nas cabanas, eu até que tentei mas dizem que sou da família e que tenho que ficar no quarto de hóspedes.
- Ah, obrigada. Quero aproveitar esses dias que vou ficar aqui. Quero fazer tudo que tenho direito. Disse e soltei uma gargalhada.
D. Isabel sorriu e me olhou com aquela cara de quem diz: essa menina não tem jeito. Ela saiu e foi pedir para Jeremias levar minhas coisas. Não resisti e comi mais um pedaço do bolo, humm.. mas isso é mesmo uma delícia. Já deu pra entender porque sempre volto cheinha. Não dá pra resistir. É tentação demais.
Já devidamente instalada e após um delicioso banho tomado, desci para jantar. O jantar na realidade é um imenso café colonial, com muitos pães, tortas, bolos, salames, queijos, sucos, geléias. Uma perdição. No final de semana sempre fica lotado o hotel, durante a semana é mais tranqüilo, mas sempre tem hóspedes. Isso é bom, porque sempre tem atividades.
Logo após o jantar a D. Helena chegou e me recebeu com o imenso carinho de sempre, ela é como se fosse minha segunda mãe. Conversamos um monte, contando as novidades e é claro botando as fofocas em dia. Fui dormir. Esta noite não me lembro de ter sonhado.
Cheguei no meu paraíso. Estava com saudades dos meus amigos. Eles adoraram a idéia de eu passar minhas férias com eles. Eles me lembram o aconchego de família. Já que colinho de mamãe só tenho quando vou para Joinville, em Santa Catarina, onde meus pais moram. De repente me deu uma saudade imensa deles. Talvez antecipe a saída da fazenda e vou ver meus velhos. Era uma ótima idéia.
Estacionei o carro, e fui até a recepção do hotel. Lá estava Jeremias, um rapaz de 30 anos, um faz-tudo na fazenda, como costumo chamá-lo.
- Boa tarde, Jeremias. Como você está, homem? Cumprimentei-o.
Ele abriu um sorriso imenso ao ver-me e veio abraçar-me. Nos conhecemos praticamente desde criança. Ele nasceu na fazenda, seus pais já trabalhavam nela.
- Boa tarde, mas que maravilha você por aqui Marta. Estava com saudades suas. Tá todo mundo te esperando ansiosamente. Seja bem vinda minha querida. E deu-me um beijo na bochecha.
Retribuí sapecando um beijo na sua bochecha também.
- Já chegou e nem me disse nada, né minha menina. Era a D. Isabel, a responsável pelo motivo de eu voltar sempre alguns quilinhos mais gorda para casa. Uma simpática senhora de 54 anos. Já trabalhava na fazenda tinha quase trinta anos. Sempre brincava dizendo que já era patrimônio da fazenda.
Corri para abraçá-la. Eu gostava tanto de estar ali. Ia ser ótimo. Já fazia alguns meses que eu não aparecia por aqui. Estava com saudades.
- Como você está D. Isabel? Humm... estou com vontade comer aquele bolo de cenoura com cobertura de chocolate que só você sabe fazer. Falei dando uma gargalhada.
- Eu estou bem. É só pra isso que você vem aqui né minha menina. Agora, vou te contar um segredo. Falou baixinho no meu ouvido. - Fiz o bolo e tá lá esperando ser devorado por você. Não resisti e dei um gritinho de felicidade.
- Então o que nós estamos esperando, eu quero é comer um pedaço dele agora mesmo. E saímos em disparada para a cozinha.
Já devidamente satisfeita da minha vontade de comer aquele manjar dos deuses. Perguntei:
- E a D. Helena e a Fabiana, onde elas estão?
- Bom, a D. Helena foi visitar uma amiga dela na cidade, deve voltar mais a noitinha. Já a Fabiana viajou com o namorado dela. Pelo que sei volta na metade da semana. D. Helena não gostou muito dela viajar com esse rapaz não, sabe. O cara é muito folgado.
- Ah, D. Isabel, deixa disso mulé, fica se metendo na vida alheia. Falei dando um abraço nela.
- Mas é, o cara é muito do folgado mesmo. Não faz nada, só fica andando de carro pra baixo e pra cima. Não produz nada, não se interessa por nada, aliás, se interessa sim e acho que é pela fazenda que um dia vai ser da D. Fabiana. Ela que não abre o olho não.
- Ah, deixa disso mulé, a Fabiana já tem idade suficiente pra saber quem ela escolhe pra ficar do lado dela, e se conheço ela, pelo menos alguma qualidade ele tem. Ponderei.
- O seu quarto tá arrumadinho, vou pedir para o Jeremias levar as suas coisas pra lá.
Nunca me deixaram ficar nas cabanas, eu até que tentei mas dizem que sou da família e que tenho que ficar no quarto de hóspedes.
- Ah, obrigada. Quero aproveitar esses dias que vou ficar aqui. Quero fazer tudo que tenho direito. Disse e soltei uma gargalhada.
D. Isabel sorriu e me olhou com aquela cara de quem diz: essa menina não tem jeito. Ela saiu e foi pedir para Jeremias levar minhas coisas. Não resisti e comi mais um pedaço do bolo, humm.. mas isso é mesmo uma delícia. Já deu pra entender porque sempre volto cheinha. Não dá pra resistir. É tentação demais.
Já devidamente instalada e após um delicioso banho tomado, desci para jantar. O jantar na realidade é um imenso café colonial, com muitos pães, tortas, bolos, salames, queijos, sucos, geléias. Uma perdição. No final de semana sempre fica lotado o hotel, durante a semana é mais tranqüilo, mas sempre tem hóspedes. Isso é bom, porque sempre tem atividades.
Logo após o jantar a D. Helena chegou e me recebeu com o imenso carinho de sempre, ela é como se fosse minha segunda mãe. Conversamos um monte, contando as novidades e é claro botando as fofocas em dia. Fui dormir. Esta noite não me lembro de ter sonhado.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
3 - A alegria
- Você está bem moça? Ela torna a dizer.
- Hã... si... sim, es... estou bem. Dou um sorriso sem graça. - Derrubei tudo, não vi. Falei. Que coisa mais imbecil de se dizer, é óbvio isso.
- Posso ajudá-la? Disse e me estendeu a mão. Peguei sua mão. Macia e quente. Senti um calor gostoso passear pelo meu corpo. Ajudou-me a levantar.
Estava tão envergonhada da situação. Meu corpo estava todo dolorido. Ela gentilmente pediu que eu a acompanhasse até uma sala. Antes falou com um rapaz para passar com meu carrinho de compras pelo caixa e que logo após levasse as sacolas para a sala. Pediu que eu sentasse em uma das cadeiras.
- Acho que é melhor levá-la ao hospital... Ela começou a dizer.
- Não. Não precisa. Disse. -Estou bem, foi mais o susto que outra coisa, e a vergonha também. Disse sorrindo . Ela sorriu. Meu deus, que sorriso lindo.
- Aceita um cafezinho ou um chá, ou mesmo um copo d'água? Perguntou com aquele sorriso lindo.
- Humm... acho que aceito um cafezinho. Respondi, retribuindo aquele sorriso encantador. Ela pegou o telefone e pediu dois cafezinhos.
- Bom, deixe apresentar-me, meu nome é Joanna e sou a gerente deste supermercado.
- Você trabalha aqui?!? Perguntei espantada, não acreditando nisso.
- Sim, trabalho. Nesta unidade comecei ontem. Trabalhava antes na unidade do bairro Xaxim.
- Nossa, do outro lado da cidade. Comentei, pois o bairro em que estávamos era o Bacacheri. Algo como o norte e o sul, pois é, totalmente oposto um do outro. Acho que a partir de hoje eu iria apreciar vir mais vezes ao supermercado. Acho que ia passar a comprar um produto de por vez. Viria muitas vezes. Descobri de repente que a-m-o fazer compras em supermercado. Eu estava com um sorriso bobo na cara e não ouvi nada do que ela falou, só ouvi a última palavra.
- ... casa?
- Hãã... desculpe, é.. é que não ouvi o que você disse. Desculpe-me, poderia repetir?
Ela estava sorrindo lindamente. - Claro que sim, eu perguntei se gostaria que alguém a acompanhasse até sua casa?
- Oh.. não.. não.. não precisa, eu estou bem. Estou bem mesmo, foi... só um susto. E ri. - Oh, mas que falta de educação a minha, nem apresentei-me. Me chamo Marta, e sou uma cliente deste supermercado.
- Eu sei.
- Sabe?!?
- Sim, lembro-me que a vi ontem aqui, quando fazia algumas análises do local, pra ver se fazemos algumas mudanças... pra melhorar o atendimento. Ela disse e insistia em ficar com aquele sorriso no rosto. Eu estava literalmente babando. Estava perdida. Perdidamente apaixonada por ela. Rapidamente olhei para suas mãos, não usava aliança, então não era casada. Fiquei feliz. Sou uma idiota mesmo, conheço um monte de gente que é casada e não usa aliança. Nesse momento entra uma moça com os cafezinhos.
- Srta. Joanna, aqui estão os cafezinhos. Precisa de mais alguma coisa? Perguntou a moça.
- Não, Rosana. Muito obrigada. E a moça saiu da sala.
Senhorita. Senhorita. Isso significa que é solteira... viva, viva, viva!!!! Mas pode ter namorado, imagine se um mulherão desses vai ficar por aí dando sopa. É ruim, hein! Não importa, meus olhos brilhavam de alegria. Eu estava conversando com a minha deusa. Bendita trombada com o leite condensado. Ai, como eu amo supermercado. Acabei de descobrir. Neste instante o rapaz trouxe minhas compras e deixou as sacolas em um canto. E entregou a nota para ela.
- Eu peço desculpas pela trombada e pelo inconveniente... Estava dizendo e ela me interrompe.
- Não há nada para desculpar, imagine. Você não tem idéia de como é comum acontecer isso. Você não é a primeira e nem será a última. Disse-me dando uma gargalhada gostosa.
Eu estava inebriada com a presença dela. Completamente enfeitiçada e ficamos conversando por mais alguns minutos. Paguei pelas minhas compras e fui embora. Não sem antes ela me dizer:
- Marta, adorei conversar contigo. Quando vier aqui, aproveite e venha tomar um cafezinho comigo. Você é muito legal. Gostei muito de você.
Não preciso nem dizer que saí de lá flutuando. Hoje poderia furar os quatros pneus do meu carro que eu ainda continuaria com aquele sorriso bobo na cara. Completamente embevecida. A minha deusa ruiva de cabelos de fogo. Descobri onde poderia sempre achá-la. Ai ai, e ainda me convidou pra ir tomar cafezinho com ela. Nossa, ela poderia me convidar pra qualquer coisa que eu toparia sem pestanejar. Cheguei em casa e guardei minha bendita compra. Comi alguma coisa, tomei um banho e fui dormir. Nesta noite sonhei novamente com uma deusa maravilhosa. Isso já estava virando hábito.
- Hã... si... sim, es... estou bem. Dou um sorriso sem graça. - Derrubei tudo, não vi. Falei. Que coisa mais imbecil de se dizer, é óbvio isso.
- Posso ajudá-la? Disse e me estendeu a mão. Peguei sua mão. Macia e quente. Senti um calor gostoso passear pelo meu corpo. Ajudou-me a levantar.
Estava tão envergonhada da situação. Meu corpo estava todo dolorido. Ela gentilmente pediu que eu a acompanhasse até uma sala. Antes falou com um rapaz para passar com meu carrinho de compras pelo caixa e que logo após levasse as sacolas para a sala. Pediu que eu sentasse em uma das cadeiras.
- Acho que é melhor levá-la ao hospital... Ela começou a dizer.
- Não. Não precisa. Disse. -Estou bem, foi mais o susto que outra coisa, e a vergonha também. Disse sorrindo . Ela sorriu. Meu deus, que sorriso lindo.
- Aceita um cafezinho ou um chá, ou mesmo um copo d'água? Perguntou com aquele sorriso lindo.
- Humm... acho que aceito um cafezinho. Respondi, retribuindo aquele sorriso encantador. Ela pegou o telefone e pediu dois cafezinhos.
- Bom, deixe apresentar-me, meu nome é Joanna e sou a gerente deste supermercado.
- Você trabalha aqui?!? Perguntei espantada, não acreditando nisso.
- Sim, trabalho. Nesta unidade comecei ontem. Trabalhava antes na unidade do bairro Xaxim.
- Nossa, do outro lado da cidade. Comentei, pois o bairro em que estávamos era o Bacacheri. Algo como o norte e o sul, pois é, totalmente oposto um do outro. Acho que a partir de hoje eu iria apreciar vir mais vezes ao supermercado. Acho que ia passar a comprar um produto de por vez. Viria muitas vezes. Descobri de repente que a-m-o fazer compras em supermercado. Eu estava com um sorriso bobo na cara e não ouvi nada do que ela falou, só ouvi a última palavra.
- ... casa?
- Hãã... desculpe, é.. é que não ouvi o que você disse. Desculpe-me, poderia repetir?
Ela estava sorrindo lindamente. - Claro que sim, eu perguntei se gostaria que alguém a acompanhasse até sua casa?
- Oh.. não.. não.. não precisa, eu estou bem. Estou bem mesmo, foi... só um susto. E ri. - Oh, mas que falta de educação a minha, nem apresentei-me. Me chamo Marta, e sou uma cliente deste supermercado.
- Eu sei.
- Sabe?!?
- Sim, lembro-me que a vi ontem aqui, quando fazia algumas análises do local, pra ver se fazemos algumas mudanças... pra melhorar o atendimento. Ela disse e insistia em ficar com aquele sorriso no rosto. Eu estava literalmente babando. Estava perdida. Perdidamente apaixonada por ela. Rapidamente olhei para suas mãos, não usava aliança, então não era casada. Fiquei feliz. Sou uma idiota mesmo, conheço um monte de gente que é casada e não usa aliança. Nesse momento entra uma moça com os cafezinhos.
- Srta. Joanna, aqui estão os cafezinhos. Precisa de mais alguma coisa? Perguntou a moça.
- Não, Rosana. Muito obrigada. E a moça saiu da sala.
Senhorita. Senhorita. Isso significa que é solteira... viva, viva, viva!!!! Mas pode ter namorado, imagine se um mulherão desses vai ficar por aí dando sopa. É ruim, hein! Não importa, meus olhos brilhavam de alegria. Eu estava conversando com a minha deusa. Bendita trombada com o leite condensado. Ai, como eu amo supermercado. Acabei de descobrir. Neste instante o rapaz trouxe minhas compras e deixou as sacolas em um canto. E entregou a nota para ela.
- Eu peço desculpas pela trombada e pelo inconveniente... Estava dizendo e ela me interrompe.
- Não há nada para desculpar, imagine. Você não tem idéia de como é comum acontecer isso. Você não é a primeira e nem será a última. Disse-me dando uma gargalhada gostosa.
Eu estava inebriada com a presença dela. Completamente enfeitiçada e ficamos conversando por mais alguns minutos. Paguei pelas minhas compras e fui embora. Não sem antes ela me dizer:
- Marta, adorei conversar contigo. Quando vier aqui, aproveite e venha tomar um cafezinho comigo. Você é muito legal. Gostei muito de você.
Não preciso nem dizer que saí de lá flutuando. Hoje poderia furar os quatros pneus do meu carro que eu ainda continuaria com aquele sorriso bobo na cara. Completamente embevecida. A minha deusa ruiva de cabelos de fogo. Descobri onde poderia sempre achá-la. Ai ai, e ainda me convidou pra ir tomar cafezinho com ela. Nossa, ela poderia me convidar pra qualquer coisa que eu toparia sem pestanejar. Cheguei em casa e guardei minha bendita compra. Comi alguma coisa, tomei um banho e fui dormir. Nesta noite sonhei novamente com uma deusa maravilhosa. Isso já estava virando hábito.
2 - O mico
Terça-feira. Sete horas. Ainda bem que consegui arrumar tudo no meu novo apartamento. Mudança é uma bagunça, sempre uma bagunça. Mas ainda bem que já deixei o apartamento um brinco. Foi ótimo ter me mudado no fim de semana, até porque era o meu único tempo disponível. Só tenho o domingo livre, e sábado sim e sábado não, mas tive que pegar este sábado de folga. Chato isso! Espero não ter tirado a paz do morador aqui do lado. Vou chamar o Júlio pra gente comemorar o meu novo cantinho. Ah, Júlio é o meu namorado, namoramos há 2 anos. Eu o amo, mas ultimamente sinto que ele anda um pouco estranho. Bom, mas ele diz que é muito trabalho, e eu acredito, claro, porque ele iria mentir pra mim? Afinal ele me ama também. Bom, pelo menos ele me diz que me ama. Não vejo porque não acreditar. Tudo bem que ele não me faz subir pelas paredes na hora do sexo. Mas, com meus outros namorados era a mesma coisa, então acho que é assim mesmo. Mas não gosto quando ele chega antes e eu tenho que lançar mão do fingimento. Como os homens são bobinhos... basta dar alguns gemidos mais fortes, falar uns palavrões e pronto eles acham que nos levaram ao céu.
Meu nome é Joanna, tenho 32 anos, meus cabelos são longos e cacheados e sou ruiva, tenho olhos verdes, trabalho para uma rede de supermercados e sou gerente de uma unidade. Fui transferida recentemente, trabalhava aqui mesmo em Curitiba, apenas em outra unidade. Este é maior, aceitei o desafio. Formei-me em administração de empresas há 10 anos e desde então trabalho nesta empresa, mas fui galgando posições e hoje estou como gerente. Sou feliz, tenho um bom emprego, um namorado que eu amo, e agora estou de cantinho novo. Ainda não conheci meu vizinho. O prédio que eu moro tem dois apartamentos por andar. Sempre ouço quando ele sai. Haverá tempo suficiente para eu conhecer quem mora ao meu lado. Não gosto desta coisa de não saber quem está ali, a poucos metros de você.
----------------------------
Terça-feira. Seis e meia da manhã. Dormi mal, acordei suada e sexualmente molhada, tinha acaba de sonhar com uma certa ruiva, foi um sonho extremamente quente. Carência, isso é carência pura!! Preciso ver como está a minha agenda e tirar essas minhas férias. Iria tirá-la daqui a dois meses, mas vou antecipar. Estou necessitada deste tempo para mim. Ao chegar no consultório às sete e meia, chamei minha secretária até minha sala.
- Bom dia, Carol!
- Bom dia, Dra. Marta.
- Carol, quero saber como está a minha agenda, pois gostaria de tirar duas semanas de férias. Seria semana que vem e a outra. Sei que a tinha programada para daqui dois meses, mas estou há quase dois anos sem tirar férias, e convenhamos ninguém merece ficar tanto tempo assim sem descansar.- E dei uma gargalhada.
Carol também riu e me respondeu:
- Bom, Dra Marta, acredito ser perfeitamente possível ajustar os horários, mas terão alguns pacientes que vão ter que ser atendidos provavelmente no sábado.- Disse isso, e me olhou, pois ela sabe que o-d-e-i-o trabalhar no fim de semana.
- É... se não tiver jeito de adiá-los, faço isso então. Embora a idéia de trabalhar no sábado não me agrade nem um pouco, mas em prol das minhas férias, eu faço este sacrifício.- Disse resignada.
- O paciente das nove horas cancelou, pois teve um imprevisto. - Disse-me Carol. Eu detestava quando isso acontecia, mas não podia fazer nada.
- Fazer o que. Vou aproveitar o horário e dar uma olhada naquele livro sobre próteses que eu comprei.- Disse, e Carol saiu da minha sala.
Tinha acabado de fazer uma especialização em próteses. Cansei de mandar meus pacientes para outros profissionais. Agora eu mesma fazia esta parte. E eu gostava de fazer isso. É, posso dizer que faço o que amo. Já tenho meu consultório há 5 anos. No início não foi fácil, mas agora tenho uma excelente clientela.
À tarde, Carol me comunicou que conseguiu ajustar minha agenda para que eu pudesse sair de férias. Teve 5 atendimentos marcados para o sábado. E, infelizmente, teria de fazer um atendimento no domingo de manhã. Era um caso especial e não podia deixar de atender este meu paciente. Pretendia sair no domingo à tarde. Iria para um hotel fazenda, não muito distante daqui. Acho que ter um contato com a natureza seria maravilhoso.
Terminei meu expediente, e claro, como não concluí a compra dos itens para a casa, tenho de voltar ao supermercado. Imediatamente lembrei-me da ruiva. E do sonho que tive com ela esta noite. Preciso de um banho frio. Gelado! Mas tenho o supermercado antes. E com certeza, a pesquisadora de preços não vai estar lá, deve estar em qualquer outro mercado, naquele de novo não. Com este pensamento em mente dirigi-me ao supermercado.
O supermercado é daqueles bem grandes, com um estacionamento grande, o que é bom pra nós, clientes. Horrível quando se vai a algum lugar e não tem onde estacionar o carro. É, não tem jeito de fugir dessa coisa chata de ir ao supermercado, só sobra pra mim mesmo. Quem manda morar sozinha. Sobram as coisas boas e as não tão boas pra serem feitas. Pego um carrinho pequeno e lá vou eu para esta grande aventura.
Após a extenuante tarefa de escolher tudo o que eu queria, agora só falta passar no caixa. Sabe o que é pior, por várias vezes me flagrei procurando a ruiva pelo supermercado, a cada nova sessão que eu entrava, meu coração batia descompassado esperando encontrá-la ali. Chato isso. Preciso esquecer essa mulher, nunca mais devo vê-la. A cidade é grande, quais as chances de encontrá-la de novo? E mesmo se encontrá-la, o que vou dizer? Não tenho menor noção de quem ela é. Larga de pensar nela, poxa! Vou embora pro caixa pagar isso aqui.
Levo um susto. Não acredito!!! É ela! Ela está lá em cima encostada na porta do escritório do supermercado. Será que trabalha aqui??? Meu coração está a trezentos por hora. Tem um tambor dentro da minha cabeça. Meu deus, que loucura é essa? Vou andando e olhando pra cima, droga, não consigo desviar o olhar. BAAAAAMMMMMMMMMM.... Nããããooooooo..... não olhei para onde estava indo e trombei com uma banca de promoção de leite condensado em lata... vocês não conseguem imaginar a cena: estou sentada no chão, com latas por cima de mim, tudo, mas tudo caiu! Uma verdadeira tragédia. Eu mereço, bem feito.... droga, droga, droga. E o mercado inteiro me olhando. Tudo isso aconteceu em poucos segundos. Que vergonha. Queria abrir um buraco no chão e me esconder. Que vontade de chorar. Droga, por que tinha que acontecer isto justo comigo?
- Você está bem? Ouço uma voz suave me perguntando.
Olho... fico petrificada, era ela, me olhando com aqueles olhos verdes lindos. Ela é toda linda! Fico parada olhando ela.
Meu nome é Joanna, tenho 32 anos, meus cabelos são longos e cacheados e sou ruiva, tenho olhos verdes, trabalho para uma rede de supermercados e sou gerente de uma unidade. Fui transferida recentemente, trabalhava aqui mesmo em Curitiba, apenas em outra unidade. Este é maior, aceitei o desafio. Formei-me em administração de empresas há 10 anos e desde então trabalho nesta empresa, mas fui galgando posições e hoje estou como gerente. Sou feliz, tenho um bom emprego, um namorado que eu amo, e agora estou de cantinho novo. Ainda não conheci meu vizinho. O prédio que eu moro tem dois apartamentos por andar. Sempre ouço quando ele sai. Haverá tempo suficiente para eu conhecer quem mora ao meu lado. Não gosto desta coisa de não saber quem está ali, a poucos metros de você.
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Terça-feira. Seis e meia da manhã. Dormi mal, acordei suada e sexualmente molhada, tinha acaba de sonhar com uma certa ruiva, foi um sonho extremamente quente. Carência, isso é carência pura!! Preciso ver como está a minha agenda e tirar essas minhas férias. Iria tirá-la daqui a dois meses, mas vou antecipar. Estou necessitada deste tempo para mim. Ao chegar no consultório às sete e meia, chamei minha secretária até minha sala.
- Bom dia, Carol!
- Bom dia, Dra. Marta.
- Carol, quero saber como está a minha agenda, pois gostaria de tirar duas semanas de férias. Seria semana que vem e a outra. Sei que a tinha programada para daqui dois meses, mas estou há quase dois anos sem tirar férias, e convenhamos ninguém merece ficar tanto tempo assim sem descansar.- E dei uma gargalhada.
Carol também riu e me respondeu:
- Bom, Dra Marta, acredito ser perfeitamente possível ajustar os horários, mas terão alguns pacientes que vão ter que ser atendidos provavelmente no sábado.- Disse isso, e me olhou, pois ela sabe que o-d-e-i-o trabalhar no fim de semana.
- É... se não tiver jeito de adiá-los, faço isso então. Embora a idéia de trabalhar no sábado não me agrade nem um pouco, mas em prol das minhas férias, eu faço este sacrifício.- Disse resignada.
- O paciente das nove horas cancelou, pois teve um imprevisto. - Disse-me Carol. Eu detestava quando isso acontecia, mas não podia fazer nada.
- Fazer o que. Vou aproveitar o horário e dar uma olhada naquele livro sobre próteses que eu comprei.- Disse, e Carol saiu da minha sala.
Tinha acabado de fazer uma especialização em próteses. Cansei de mandar meus pacientes para outros profissionais. Agora eu mesma fazia esta parte. E eu gostava de fazer isso. É, posso dizer que faço o que amo. Já tenho meu consultório há 5 anos. No início não foi fácil, mas agora tenho uma excelente clientela.
À tarde, Carol me comunicou que conseguiu ajustar minha agenda para que eu pudesse sair de férias. Teve 5 atendimentos marcados para o sábado. E, infelizmente, teria de fazer um atendimento no domingo de manhã. Era um caso especial e não podia deixar de atender este meu paciente. Pretendia sair no domingo à tarde. Iria para um hotel fazenda, não muito distante daqui. Acho que ter um contato com a natureza seria maravilhoso.
Terminei meu expediente, e claro, como não concluí a compra dos itens para a casa, tenho de voltar ao supermercado. Imediatamente lembrei-me da ruiva. E do sonho que tive com ela esta noite. Preciso de um banho frio. Gelado! Mas tenho o supermercado antes. E com certeza, a pesquisadora de preços não vai estar lá, deve estar em qualquer outro mercado, naquele de novo não. Com este pensamento em mente dirigi-me ao supermercado.
O supermercado é daqueles bem grandes, com um estacionamento grande, o que é bom pra nós, clientes. Horrível quando se vai a algum lugar e não tem onde estacionar o carro. É, não tem jeito de fugir dessa coisa chata de ir ao supermercado, só sobra pra mim mesmo. Quem manda morar sozinha. Sobram as coisas boas e as não tão boas pra serem feitas. Pego um carrinho pequeno e lá vou eu para esta grande aventura.
Após a extenuante tarefa de escolher tudo o que eu queria, agora só falta passar no caixa. Sabe o que é pior, por várias vezes me flagrei procurando a ruiva pelo supermercado, a cada nova sessão que eu entrava, meu coração batia descompassado esperando encontrá-la ali. Chato isso. Preciso esquecer essa mulher, nunca mais devo vê-la. A cidade é grande, quais as chances de encontrá-la de novo? E mesmo se encontrá-la, o que vou dizer? Não tenho menor noção de quem ela é. Larga de pensar nela, poxa! Vou embora pro caixa pagar isso aqui.
Levo um susto. Não acredito!!! É ela! Ela está lá em cima encostada na porta do escritório do supermercado. Será que trabalha aqui??? Meu coração está a trezentos por hora. Tem um tambor dentro da minha cabeça. Meu deus, que loucura é essa? Vou andando e olhando pra cima, droga, não consigo desviar o olhar. BAAAAAMMMMMMMMMM.... Nããããooooooo..... não olhei para onde estava indo e trombei com uma banca de promoção de leite condensado em lata... vocês não conseguem imaginar a cena: estou sentada no chão, com latas por cima de mim, tudo, mas tudo caiu! Uma verdadeira tragédia. Eu mereço, bem feito.... droga, droga, droga. E o mercado inteiro me olhando. Tudo isso aconteceu em poucos segundos. Que vergonha. Queria abrir um buraco no chão e me esconder. Que vontade de chorar. Droga, por que tinha que acontecer isto justo comigo?
- Você está bem? Ouço uma voz suave me perguntando.
Olho... fico petrificada, era ela, me olhando com aqueles olhos verdes lindos. Ela é toda linda! Fico parada olhando ela.
1 - Se apaixonando....
Mais um fim de semana morno, sem graça. E eu aqui nesse apartamento sem interesse algum em fazer qualquer coisa. Ai, ai, desde que terminei meu último relacionamento que estou assim, sem vontade de fazer as coisas. Droga, mas porque as coisas tinham que ser assim. Putz, chegar em casa e ver a mulher amada nos braços de outra é dose, dose pra leão! E a sem-vergonha ainda me disse na cara dura e mais deslavada do mundo: - Amor, não é isso que você está pensando! Com certeza não era, porque naquele exato momento eu estava pensando nas carmelitas descalças rezando a Ave Maria. E assim, sigo eu sozinha.... Ah, meu nome é Marta, tenho 29 anos, sou loira, e tenho olhos azuis, quando era criança ganhei alguns apelidos geniosos como loirinha azeda, bicho de goiaba e barata descascada, ui que nojo!!! Sou dentista e moro em Curitiba, num apartamento de dois quartos, num bom condomínio. Amo essa cidade, ah, e quando é inverno então..hummmm... mas pena que tô sozinha, nada de pensar em inverno, isso me deixa mais triste ainda e estamos em pleno verão. Tô pirando mesmo, esse negócio de ficar sozinha não tá dando certo. Estou sozinha já há 6 meses. Seis meses sem um beijinho sequer!!!. Vou ler aquele livro.. já deve ser a tentativa 130, acho que agora consigo passar da primeira página.
Progresso! Já estou na página 10. Aleluia! BAAMMM!!! Mas que merda de barulho é esse?!? Foi no corredor. Corro para porta. Tenho a maldita mania de observar o corredor pelo olho mágico. Vai me dizer que alguém nunca fez isso??? Mudança pro apartamento vizinho. Corredor cheio de homens suados carregando coisas.. eca!!!! Poxa, agora vai começar aquelas furações, arrasta móveis daqui, arrasta móveis dali, martela aqui, martela ali, isso vai acabar com o meu sossegado fim de semana. Muito promissor. Que bela trilha sonora vou ter para me acompanhar. Droga!!! Acho que meu problema é falta de sexo, por isto estou tão nervosa. Só pode!
Segunda-feita, seis e meia da tarde. Acabei de atender meu último paciente de hoje. Estou quebrada. Minhas costas estão me matando. E ainda tenho que ir ao supermercado. Droga, droga, droga! Odeio ir ao supermercado. Pra mim não tem coisa mais chata do que ficar empurrando um carrinho e ficar escolhendo "coisas" e jogando dentro dele, para depois enfrentar um fila imensa para pagar por eles. Bota no carrinho, tira do carrinho, põe na sacola, tira da sacola. Detesto isso, acho que tem coisa mais prazerosa pra ser feita por aí. Como amar uma mulher, por exemplo!!!
Estou aqui na missão impossível de escolher o melhor molho de tomate, quando vejo aquela mulher, meu deus, de parar o trânsito. Ruiva, ela olhou pra mim, olhos verdes, cabelos longos e cacheados... vou enfartar!!! Preciso desesperadamente descobrir quem é esse monumento. Nunca a vi e não posso perdê-la de vista. Assim, vou discretamente seguindo ela. Ela está com uma prancheta. Será que ela está fazendo pesquisa de preços? Ela é mais baixa que eu, bom eu tenho 1,78m então a maioria das mulheres são mais baixas do que eu. Grande constatação, blerghhhh!!! Será que esse monumento gosta de mulheres? Hummm... parece que não. Que pena! Mas olhar não arranca pedaço e continuo com a minha secreta perseguição.
Ela olha os preços de alguns produtos e anota naquela prancheta. Nossa, ela levou a caneta até a boca. Eu quero ser aquela caneta, sentir aquela boca carnuda. Enlouqueci! Só pode. Estou de quatro por uma completa estranha. Mas o que está acontecendo comigo?!? Nunca agi assim, dessa forma tão desesperada. Chega!! Chega!! Chega!!! Vou pra casa, desisto de comprar hoje, só vou levar pão, leite e queijo, amanhã volto aqui e termino o restante da compra. É isso, mas que maluquice a minha, ficar babando por uma mulher assim. Tô na pura carência mesmo.
Mas como tragédia pouca é bobagem. No caminho de casa fura um pneu do carro. Merda!!! Só me faltava essa. Ainda bem que a rua está iluminada. Bom, lá vou eu trocar esse pneu. Meu deus, tô suando em bicas, quem apertou este parafuso tão bem apertado??? Não consigo soltar os parafusos. Droga! Parou um carro, pronto, ai meu deus, vou ser assaltada! Me proteja meu jesuis cristin. Quem eu vejo saindo do carro... a ruiva, vem andando sensualmente em minha direção, olho para seus olhos, me capturam no seu verde olhar, me dá um sorriso pra lá de sacana. Meu coração vai sair pela boca. Ela vem chegando mais perto e mais perto e pergunta com aquela voz grossa e máscula. Peraí, voz grossa e máscula?!?!? Olho de novo e tem um senhor de meia idade perguntando:
- Boa noite senhorita, posso ajudar-lhe a trocar este pneu. Vejo que está com dificuldades. Se oferece solícito.
- Hããnn... cla.. claro, mas é claro que sim. Muita gentileza sua em me ajudar. Respondo a ele e continuo. - Apertaram demais e não estou conseguindo soltar os parafusos.
Ele tenta e comenta: - É... quem trocou da última vez apertou demais mesmo. Mas vou dar um jeito nisso. Deixe comigo.
Em poucos minutos ele trocou o pneu, agradeci-o imensamente pela ajuda. E ele seguiu seu caminho. E eu?? Fiquei igual a uma barata tonta ali, imaginando a cena minutos antes.. Eu juro que era a ruiva quem eu tinha visto. Meu deus, eu enlouqueci mesmo, preciso de férias e urgente. É isso, vou tirar duas semanas de férias. Preciso voltar ao meu juízo perfeito.
Progresso! Já estou na página 10. Aleluia! BAAMMM!!! Mas que merda de barulho é esse?!? Foi no corredor. Corro para porta. Tenho a maldita mania de observar o corredor pelo olho mágico. Vai me dizer que alguém nunca fez isso??? Mudança pro apartamento vizinho. Corredor cheio de homens suados carregando coisas.. eca!!!! Poxa, agora vai começar aquelas furações, arrasta móveis daqui, arrasta móveis dali, martela aqui, martela ali, isso vai acabar com o meu sossegado fim de semana. Muito promissor. Que bela trilha sonora vou ter para me acompanhar. Droga!!! Acho que meu problema é falta de sexo, por isto estou tão nervosa. Só pode!
Segunda-feita, seis e meia da tarde. Acabei de atender meu último paciente de hoje. Estou quebrada. Minhas costas estão me matando. E ainda tenho que ir ao supermercado. Droga, droga, droga! Odeio ir ao supermercado. Pra mim não tem coisa mais chata do que ficar empurrando um carrinho e ficar escolhendo "coisas" e jogando dentro dele, para depois enfrentar um fila imensa para pagar por eles. Bota no carrinho, tira do carrinho, põe na sacola, tira da sacola. Detesto isso, acho que tem coisa mais prazerosa pra ser feita por aí. Como amar uma mulher, por exemplo!!!
Estou aqui na missão impossível de escolher o melhor molho de tomate, quando vejo aquela mulher, meu deus, de parar o trânsito. Ruiva, ela olhou pra mim, olhos verdes, cabelos longos e cacheados... vou enfartar!!! Preciso desesperadamente descobrir quem é esse monumento. Nunca a vi e não posso perdê-la de vista. Assim, vou discretamente seguindo ela. Ela está com uma prancheta. Será que ela está fazendo pesquisa de preços? Ela é mais baixa que eu, bom eu tenho 1,78m então a maioria das mulheres são mais baixas do que eu. Grande constatação, blerghhhh!!! Será que esse monumento gosta de mulheres? Hummm... parece que não. Que pena! Mas olhar não arranca pedaço e continuo com a minha secreta perseguição.
Ela olha os preços de alguns produtos e anota naquela prancheta. Nossa, ela levou a caneta até a boca. Eu quero ser aquela caneta, sentir aquela boca carnuda. Enlouqueci! Só pode. Estou de quatro por uma completa estranha. Mas o que está acontecendo comigo?!? Nunca agi assim, dessa forma tão desesperada. Chega!! Chega!! Chega!!! Vou pra casa, desisto de comprar hoje, só vou levar pão, leite e queijo, amanhã volto aqui e termino o restante da compra. É isso, mas que maluquice a minha, ficar babando por uma mulher assim. Tô na pura carência mesmo.
Mas como tragédia pouca é bobagem. No caminho de casa fura um pneu do carro. Merda!!! Só me faltava essa. Ainda bem que a rua está iluminada. Bom, lá vou eu trocar esse pneu. Meu deus, tô suando em bicas, quem apertou este parafuso tão bem apertado??? Não consigo soltar os parafusos. Droga! Parou um carro, pronto, ai meu deus, vou ser assaltada! Me proteja meu jesuis cristin. Quem eu vejo saindo do carro... a ruiva, vem andando sensualmente em minha direção, olho para seus olhos, me capturam no seu verde olhar, me dá um sorriso pra lá de sacana. Meu coração vai sair pela boca. Ela vem chegando mais perto e mais perto e pergunta com aquela voz grossa e máscula. Peraí, voz grossa e máscula?!?!? Olho de novo e tem um senhor de meia idade perguntando:
- Boa noite senhorita, posso ajudar-lhe a trocar este pneu. Vejo que está com dificuldades. Se oferece solícito.
- Hããnn... cla.. claro, mas é claro que sim. Muita gentileza sua em me ajudar. Respondo a ele e continuo. - Apertaram demais e não estou conseguindo soltar os parafusos.
Ele tenta e comenta: - É... quem trocou da última vez apertou demais mesmo. Mas vou dar um jeito nisso. Deixe comigo.
Em poucos minutos ele trocou o pneu, agradeci-o imensamente pela ajuda. E ele seguiu seu caminho. E eu?? Fiquei igual a uma barata tonta ali, imaginando a cena minutos antes.. Eu juro que era a ruiva quem eu tinha visto. Meu deus, eu enlouqueci mesmo, preciso de férias e urgente. É isso, vou tirar duas semanas de férias. Preciso voltar ao meu juízo perfeito.
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