quinta-feira, 27 de setembro de 2007

3 - A alegria

- Você está bem moça? Ela torna a dizer.

- Hã... si... sim, es... estou bem. Dou um sorriso sem graça. - Derrubei tudo, não vi. Falei. Que coisa mais imbecil de se dizer, é óbvio isso.

- Posso ajudá-la? Disse e me estendeu a mão. Peguei sua mão. Macia e quente. Senti um calor gostoso passear pelo meu corpo. Ajudou-me a levantar.

Estava tão envergonhada da situação. Meu corpo estava todo dolorido. Ela gentilmente pediu que eu a acompanhasse até uma sala. Antes falou com um rapaz para passar com meu carrinho de compras pelo caixa e que logo após levasse as sacolas para a sala. Pediu que eu sentasse em uma das cadeiras.

- Acho que é melhor levá-la ao hospital... Ela começou a dizer.

- Não. Não precisa. Disse. -Estou bem, foi mais o susto que outra coisa, e a vergonha também. Disse sorrindo . Ela sorriu. Meu deus, que sorriso lindo.

- Aceita um cafezinho ou um chá, ou mesmo um copo d'água? Perguntou com aquele sorriso lindo.

- Humm... acho que aceito um cafezinho. Respondi, retribuindo aquele sorriso encantador. Ela pegou o telefone e pediu dois cafezinhos.

- Bom, deixe apresentar-me, meu nome é Joanna e sou a gerente deste supermercado.

- Você trabalha aqui?!? Perguntei espantada, não acreditando nisso.

- Sim, trabalho. Nesta unidade comecei ontem. Trabalhava antes na unidade do bairro Xaxim.

- Nossa, do outro lado da cidade. Comentei, pois o bairro em que estávamos era o Bacacheri. Algo como o norte e o sul, pois é, totalmente oposto um do outro. Acho que a partir de hoje eu iria apreciar vir mais vezes ao supermercado. Acho que ia passar a comprar um produto de por vez. Viria muitas vezes. Descobri de repente que a-m-o fazer compras em supermercado. Eu estava com um sorriso bobo na cara e não ouvi nada do que ela falou, só ouvi a última palavra.

- ... casa?

- Hãã... desculpe, é.. é que não ouvi o que você disse. Desculpe-me, poderia repetir?

Ela estava sorrindo lindamente. - Claro que sim, eu perguntei se gostaria que alguém a acompanhasse até sua casa?

- Oh.. não.. não.. não precisa, eu estou bem. Estou bem mesmo, foi... só um susto. E ri. - Oh, mas que falta de educação a minha, nem apresentei-me. Me chamo Marta, e sou uma cliente deste supermercado.

- Eu sei.

- Sabe?!?

- Sim, lembro-me que a vi ontem aqui, quando fazia algumas análises do local, pra ver se fazemos algumas mudanças... pra melhorar o atendimento. Ela disse e insistia em ficar com aquele sorriso no rosto. Eu estava literalmente babando. Estava perdida. Perdidamente apaixonada por ela. Rapidamente olhei para suas mãos, não usava aliança, então não era casada. Fiquei feliz. Sou uma idiota mesmo, conheço um monte de gente que é casada e não usa aliança. Nesse momento entra uma moça com os cafezinhos.

- Srta. Joanna, aqui estão os cafezinhos. Precisa de mais alguma coisa? Perguntou a moça.

- Não, Rosana. Muito obrigada. E a moça saiu da sala.

Senhorita. Senhorita. Isso significa que é solteira... viva, viva, viva!!!! Mas pode ter namorado, imagine se um mulherão desses vai ficar por aí dando sopa. É ruim, hein! Não importa, meus olhos brilhavam de alegria. Eu estava conversando com a minha deusa. Bendita trombada com o leite condensado. Ai, como eu amo supermercado. Acabei de descobrir. Neste instante o rapaz trouxe minhas compras e deixou as sacolas em um canto. E entregou a nota para ela.

- Eu peço desculpas pela trombada e pelo inconveniente... Estava dizendo e ela me interrompe.

- Não há nada para desculpar, imagine. Você não tem idéia de como é comum acontecer isso. Você não é a primeira e nem será a última. Disse-me dando uma gargalhada gostosa.

Eu estava inebriada com a presença dela. Completamente enfeitiçada e ficamos conversando por mais alguns minutos. Paguei pelas minhas compras e fui embora. Não sem antes ela me dizer:

- Marta, adorei conversar contigo. Quando vier aqui, aproveite e venha tomar um cafezinho comigo. Você é muito legal. Gostei muito de você.

Não preciso nem dizer que saí de lá flutuando. Hoje poderia furar os quatros pneus do meu carro que eu ainda continuaria com aquele sorriso bobo na cara. Completamente embevecida. A minha deusa ruiva de cabelos de fogo. Descobri onde poderia sempre achá-la. Ai ai, e ainda me convidou pra ir tomar cafezinho com ela. Nossa, ela poderia me convidar pra qualquer coisa que eu toparia sem pestanejar. Cheguei em casa e guardei minha bendita compra. Comi alguma coisa, tomei um banho e fui dormir. Nesta noite sonhei novamente com uma deusa maravilhosa. Isso já estava virando hábito.

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