A semana transcorreu normalmente, e finalmente chegou o domingo. Atendi o Sr. Alfredo e fui para casa, terminar de arrumar minhas malas, e finalmente iria para minhas férias. Seria muito bom este tempo comigo mesmo. Preciso disso pra reorganizar algumas coisas internas. Quando cheguei na garagem tive a impressão de ver a ruiva saindo de carro. Imediatamente lembrei-me do incidente do pneu, quando imaginei ter visto ela. Ri sozinha. Isso já está virando mania. Tudo pronto, carreguei o carro e saí rumo ao meu hotel fazenda preferido. Ah, esqueci de dizer, é a fazenda de uma amiga de família. Praticamente cresci lá. É como se fosse o meu refúgio, e sempre que preciso recarregar minhas energias é pra lá que vou.
Cheguei no meu paraíso. Estava com saudades dos meus amigos. Eles adoraram a idéia de eu passar minhas férias com eles. Eles me lembram o aconchego de família. Já que colinho de mamãe só tenho quando vou para Joinville, em Santa Catarina, onde meus pais moram. De repente me deu uma saudade imensa deles. Talvez antecipe a saída da fazenda e vou ver meus velhos. Era uma ótima idéia.
Estacionei o carro, e fui até a recepção do hotel. Lá estava Jeremias, um rapaz de 30 anos, um faz-tudo na fazenda, como costumo chamá-lo.
- Boa tarde, Jeremias. Como você está, homem? Cumprimentei-o.
Ele abriu um sorriso imenso ao ver-me e veio abraçar-me. Nos conhecemos praticamente desde criança. Ele nasceu na fazenda, seus pais já trabalhavam nela.
- Boa tarde, mas que maravilha você por aqui Marta. Estava com saudades suas. Tá todo mundo te esperando ansiosamente. Seja bem vinda minha querida. E deu-me um beijo na bochecha.
Retribuí sapecando um beijo na sua bochecha também.
- Já chegou e nem me disse nada, né minha menina. Era a D. Isabel, a responsável pelo motivo de eu voltar sempre alguns quilinhos mais gorda para casa. Uma simpática senhora de 54 anos. Já trabalhava na fazenda tinha quase trinta anos. Sempre brincava dizendo que já era patrimônio da fazenda.
Corri para abraçá-la. Eu gostava tanto de estar ali. Ia ser ótimo. Já fazia alguns meses que eu não aparecia por aqui. Estava com saudades.
- Como você está D. Isabel? Humm... estou com vontade comer aquele bolo de cenoura com cobertura de chocolate que só você sabe fazer. Falei dando uma gargalhada.
- Eu estou bem. É só pra isso que você vem aqui né minha menina. Agora, vou te contar um segredo. Falou baixinho no meu ouvido. - Fiz o bolo e tá lá esperando ser devorado por você. Não resisti e dei um gritinho de felicidade.
- Então o que nós estamos esperando, eu quero é comer um pedaço dele agora mesmo. E saímos em disparada para a cozinha.
Já devidamente satisfeita da minha vontade de comer aquele manjar dos deuses. Perguntei:
- E a D. Helena e a Fabiana, onde elas estão?
- Bom, a D. Helena foi visitar uma amiga dela na cidade, deve voltar mais a noitinha. Já a Fabiana viajou com o namorado dela. Pelo que sei volta na metade da semana. D. Helena não gostou muito dela viajar com esse rapaz não, sabe. O cara é muito folgado.
- Ah, D. Isabel, deixa disso mulé, fica se metendo na vida alheia. Falei dando um abraço nela.
- Mas é, o cara é muito do folgado mesmo. Não faz nada, só fica andando de carro pra baixo e pra cima. Não produz nada, não se interessa por nada, aliás, se interessa sim e acho que é pela fazenda que um dia vai ser da D. Fabiana. Ela que não abre o olho não.
- Ah, deixa disso mulé, a Fabiana já tem idade suficiente pra saber quem ela escolhe pra ficar do lado dela, e se conheço ela, pelo menos alguma qualidade ele tem. Ponderei.
- O seu quarto tá arrumadinho, vou pedir para o Jeremias levar as suas coisas pra lá.
Nunca me deixaram ficar nas cabanas, eu até que tentei mas dizem que sou da família e que tenho que ficar no quarto de hóspedes.
- Ah, obrigada. Quero aproveitar esses dias que vou ficar aqui. Quero fazer tudo que tenho direito. Disse e soltei uma gargalhada.
D. Isabel sorriu e me olhou com aquela cara de quem diz: essa menina não tem jeito. Ela saiu e foi pedir para Jeremias levar minhas coisas. Não resisti e comi mais um pedaço do bolo, humm.. mas isso é mesmo uma delícia. Já deu pra entender porque sempre volto cheinha. Não dá pra resistir. É tentação demais.
Já devidamente instalada e após um delicioso banho tomado, desci para jantar. O jantar na realidade é um imenso café colonial, com muitos pães, tortas, bolos, salames, queijos, sucos, geléias. Uma perdição. No final de semana sempre fica lotado o hotel, durante a semana é mais tranqüilo, mas sempre tem hóspedes. Isso é bom, porque sempre tem atividades.
Logo após o jantar a D. Helena chegou e me recebeu com o imenso carinho de sempre, ela é como se fosse minha segunda mãe. Conversamos um monte, contando as novidades e é claro botando as fofocas em dia. Fui dormir. Esta noite não me lembro de ter sonhado.
sábado, 29 de setembro de 2007
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