terça-feira, 9 de outubro de 2007

12 - Constatações

Dois meses se passaram e nossa amizade continuava cada vez mais sólida. Saíamos juntas para quase tudo. Nos divertíamos a beça. Claro que eu tinha que dividi-la com o tal do Júlio. Que pretensão a minha, né! Achando que a mulher é minha, ah... mas como eu gostaria que fosse. Eu estava feliz, mesmo assim.

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Domingo. Dezesseis horas. Joanna estava com Júlio em seu apartamento. Combinam de ir ao cinema. Ele quer assistir um daqueles filmes de lutas e tiroteios. Ele nunca topou assistir algo romântico comigo. Diz que é água com açúcar, que não dá emoção. Pois eu prefiro essa água com açúcar a ver todo aquele sangue escorrendo pela tela. Adorava ir ao cinema com a Marta. Assistíamos de tudo e nos divertíamos. O mais divertido eram os filmes de terror. Passei a gostar de assistir esse tipo de filme com ela. Adorava agarrá-la. Nunca mais ocorreu nenhum episódio como o quase beijo, mas passei a desejá-lo que ocorresse, e se acontecesse a beijaria com certeza. Alias, eu estava adorando muita coisa ultimamente e tudo relacionado com Marta. Começava a me preocupar com esses pensamentos. Esta noite fantasiei estar transando com a Marta quando estava com o Júlio, senti-me mais receptiva, o orgasmo veio e fácil. Não tive que fingir. Mas estava preocupada com isso. Mas deixe quieto. Fomos ao cinema.

Acabamos de ver o filme, não via a hora que acabasse. Estava entediada. Não sentia mais prazer com a companhia de Júlio. Lembrei-me de Marta o tempo todo. Sentia falta da companhia dela. Comemos alguma coisa na praça de alimentação do shopping e retornamos para o meu apartamento. Domingo chato. O próximo vai ser mais divertido, pois sairei com a Marta. Marta. Marta. Pare de pensar nela! Chegamos no apartamento e Júlio foi me agarrando.

- Não amor, agora não! Disse enfática.

- Como não Joanna, tô aqui cheio de vontade, vamos aproveitar, pois não vamos nos ver no próximo fim de semana. Estarei de plantão. Disse com um jeito todo sacana.

Deixei-me ser abraçada e beijada por ele. Começou a acariciar meu corpo e foi me levando para o quarto. Não queria ser tocada por ele. Senti repulsa. O empurrei para longe. Ele me olhou perplexo.

- O que você tem Joanna? Não quer seu homem? Falou já alterado.

- Não, eu não quero fazer isso agora. Disse também alterada. - É melhor você ir embora. Falei. Não olhei para ele.

Ele se levantou bravo, falou alguns palavrões e saiu porta afora. Deixei-me cair na cama e comecei a chorar. Chorava copiosamente. Não entendia o que se passava comigo. Quando ele me abraçou e me beijou quis que fosse Marta. Tenho de parar de pensar nela. Tenho que me esforçar. Tenho que passar a evitar a presença dela. Mas eu adoro tanto estar com ela. Oh, meu deus!

Passado algum tempo, levantei-me da cama e fui para a sala. Percebi que Júlio havia esquecido o seu celular. Mais essa agora. Já estava muito tarde. Decidi que amanhã cedo eu o levaria até o consultório dele. E pediria desculpas pelo meu comportamento de hoje.

Segunda. Seis e meia. Levantei-me mais cedo para passar no consultório do Júlio e deixar o celular dele lá. Não avisei que iria. Avisei no meu trabalho que chegaria mais tarde, então poderia demorar o tempo que eu quisesse. Entro no consultório e a secretária não está. Não tinha nenhum paciente aguardando por ele. Resolvo entrar na sala dele. Chego perto e ouço gemidos. Coloco a mão na maçaneta e abro bem devagarzinho a porta e o que vejo me deixa estupefata: Júlio transando com a secretária. Senti nojo ao ver aquilo. O homem que eu dizia amar e que dizia também me amar estava me traindo. Quantas vezes já teria transado com ela? Com quantas já teria me traído? Perguntas sem respostas. Mas não me interessavam as respostas. Senti um ódio imenso. Atirei o celular dele contra a parede espatifando-o. Fizera um barulho imenso. Júlio se vira assustado e me vê. Olho para ele com ódio no olhar. A secretária corre para o banheiro e fecha a porta. Gritei:

- É assim que me ama? Seu cafajeste!

- Joanna?!? Calma... eu.. posso explicar.

- Explicar? Explicar o quê seu calhorda. Eu vi, não há nada para explicar. Estava transtornada.

Empurrei a cadeira pra cima dele. Ele correu para o outro lado da sala. Estava sem as calças. Seria cômico não fosse a situação que se apresentava.

- Pára meu amor....

- Amor? Você ainda tem a coragem de me chamar de amor. Gritei. Estava enlouquecida. – Há quanto tempo você me trai com ela, seu desgraçado? Vai, diz. Ficou mudo?

- Joanna...

- Era por isso, não é? Era por isso que você estava tão diferente comigo e isso já tem alguns meses. Falei irada e constatei que a traição já existia há alguns meses, pelo menos. – Júlio, faça-me um favor. Não me procure nunca mais. Acabou! Sentenciei e caminhei para a porta para ir embora. Ainda o ouvi chamar meu nome algumas vezes. Não queria mais saber dele.

Saí do consultório dele pisando duro, a raiva era tanta que eu era capaz de matar alguém só com meu olhar. Que ódio! Estava transtornada com a traição. Nosso relacionamento não estava nenhuma maravilha, cheguei a pensar em traição, me senti culpada quando pensei nessa possibilidade. É, mas eu estava certa quando pensei isso. Precisava de um tempo pra arejar a cabeça. Liguei para a minha secretária e avisei que tinha ocorrido um imprevisto e que estaria lá somente na parte da tarde. Pensei em Marta! Sorri, ela me aquece o coração. É tão prazeroso estar com ela. Tinha jurado me afastar dela, mas estou precisando da companhia dela. Preciso ouvir sua voz, olhar para seus olhos azuis que me dão tanta paz. Eram oito e meia ainda. Vou convidá-la para almoçar comigo, preciso conversar com ela. Sorri ao ter essa idéia. Liguei para o consultório dela e combinamos de almoçar, passaria lá para pegá-la. Resolvi voltar para o apartamento. Quando desse a hora veria a minha querida amiga.

Um comentário:

Unknown disse...

parabéns,o enredo está maravilhoso e a escrita invejável,dá pra notar que você está escrevendo com muito cuidado e carinho,estou adorando a estória.