segunda-feira, 15 de outubro de 2007

18 - Decepção

No horário combinado, fui ao apartamento de Joanna. Estava com o coração aos pulos, senti um imenso frio na barriga. Estava nervosa, não sabia o que Joanna queria conversar. Toquei a campainha. Ela abriu a porta. Deu-me um sorriso nervoso e disse:

- Olá Marta, entre.

Senti que a conversa não seria coisa boa. Não me cumprimentou nem com o tradicional abraço e o beijinho na bochecha. Essa conversa não seria fácil. Meu coração estava apertado.

- Oi Joanna.

Sentamos no sofá e ela me ofereceu uma bebida. Recusei, não queria nada, o que quer que ela queria me dizer iria descer a seco mesmo. Ela esfregou as mãos, passou a mão no cabelo. Gestos típicos de quem estava nervoso. Olhou para mim e começou a falar:

- Marta, eu chamei você aqui por que precisamos conversar sobre o que aconteceu na noite passada. Falou e continuava me olhando.

Saquei qual era a conversa. Iria me dispensar. – Sou toda ouvidos. Falei irônica. Mas com o coração pequenininho.

- O que... o que aconteceu ontem foi um erro. Não devia ter acontecido. Falou sem olhar para mim.

- Um erro?! Um erro, Joanna? Você queria tanto quanto eu. Não me pareceu um ERRO enquanto estávamos nos amando. Enfatizei a palavra "erro".

- Mas não vai acontecer novamente. Falou.

- Qual é a sua, Joanna? Perguntei alterada. – Me dá um beijo e depois me dá um gelo. Bate na minha porta e se joga em meus braços e depois me bota pra escanteio. Levantei-me, estava irada. - O que você quer? Matar sua curiosidade, é isso? Saber se é bom transar com outra mulher? QUAL É A SUA, JOANNA? Falei gritando, estava transtornada, não conseguia acreditar naquilo. Se tivesse sido minha a iniciativa de fazermos amor, até entenderia que ela estivesse confusa, mas caraca, foi ela quem se jogou pra cima de mim, veio com tudo. Merda!

- Calma, Marta. Não grite, por favor.

- Calma, você me pede calma. Eu estou apaixonada por você. EU TE AMO! – Falei desesperada e já começando a chorar. Era demais pra mim. Não merecia isso. Ninguém merecia.

- Eu não posso corresponder a esse amor, não sou como você. Ela falou baixinho, quase não consegui ouvir.

- Preconceito. Achei que você não tivesse isso. Me enganei. É... mais uma porrada na minha vida. Mas não se preocupe, vou sumir da sua vida, já que te incomodo ser do jeito que sou. Não quero te incomodar. Falei e fui caminhando em direção à porta.

- Espere...

Segurei a maçaneta e abri a porta, virei-me para ela e disse olhando em seus olhos, ela chorava, eu também. – Estou saindo da sua vida, Joanna. Sinta-se livre de mim. Saí e bati a porta.

Entrei no meu apartamento, minha vontade era de chutar tudo, tamanha decepção estava sentindo. Parecia que eu tinha uma imensa mão apertando meu coração. Sentei em minha cama e apoiei a cabeça em minhas mãos. Chorei copiosamente. Meu coração estava ferido de morte. Não tinha mais vontade de nada. Nem com Amanda minha decepção tinha sido tão intensa. A dor era insuportável. Queria morrer. Não queria mais nada, apenas morrer. Minha vida acabava ali. Deixei meu corpo cair na cama e fiquei ali por horas, chorando, acabei adormecendo.

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