quinta-feira, 18 de outubro de 2007

20 - Novo relacionamento

Dois meses se passaram. Na realidade se arrastaram. O inverno continuava, mas estava menos intenso. Combinava com meu estado de espírito. Continuava deprimida, ainda chorava pelos cantos e a dor se fazia insuportável. Mas tinha de tocar a minha vida. Me afundei no trabalho. Passei a atender aos sábados e à noite para poder ficar menos tempo em casa sozinha. Fui duramente criticada por Carol, mas foi a maneira que encontrei de ficar menos tempo possível no condomínio. Nas minhas caminhadas no parque no fim de semana, passei a ir ao final da tarde. Até mudei de supermercado, fazia minhas compras em um mais longe, mas preferia assim. Não podia ver uma lata de leite condensado que me lembrava dela. Descobri que leite condensado me fazia chorar. Evitava a sessão. Por incrível que pareça, não nos vimos mais. Parecia que tínhamos combinado os horários. Ouvia sua porta abrir e fechar. Ela também devia me ouvir. Nunca mais espiei pelo olho mágico. Fazia tempo que não olhava ele. Desde que passei a receber Joanna em minha casa ele foi esquecido. É.. acho que perdi aquele maldito hábito de espiar o corredor. Ri sozinha. Pelo menos meu bom humor estava voltando. Progresso.

-------------------------

Eu estava em meu escritório e tentava levar minha vida num ritmo normal também. Sonhava constantemente com Marta, que estávamos fazendo amor. Sentia falta daquele corpo colado ao meu. Sentia falta dos beijos dela. Chegava a sentir febre de tanta vontade que tinha de estar em seus braços novamente. Mas sufocava essa vontade ao máximo. Precisava agir assim. Achava que iria "curar" essa paixonite com um novo relacionamento. Assim, comecei há três semanas um relacionamento com Jorge, o sub-gerente. Ele estava de quatro por mim. Gostaria de estar assim por ele também, mas quem sabe com o tempo eu ficaria. Na cama não me sentia à vontade com ele. Mas forçava estar, e parecia que seria minha sina fingir orgasmos. Fui apenas três vezes com ele para cama, foi sofrível e evitava ao máximo este momento. Ele respeitava a minha vontade, mas sentia que ele queria mais, bem mais.

Nunca mais vi Marta, sentia saudades dela, mas sabia ser melhor assim. Tinha parado de ir ao parque, somente para evitar vê-la. Não sabia qual seria minha reação ao revê-la. Lembrei-me da última vez que estivemos juntas, Marta ficara abalada com minha decisão. Minha intenção não era terminar a amizade, queria apenas pedir para evitarmos um contato mais íntimo como tínhamos tido. Não esperava o rompimento brusco. Me desesperei ao ouvir que ela sairia de minha vida, que não me procuraria mais. Chorei muito, sentia uma dor indecifrável no peito que me incomodava constantemente. Sentia muita falta das conversas, dos cinemas, das caminhadas, das risadas, dos olhares. Jorge várias vezes me convidou para ir ao cinema, dizia que não gostava, mas na realidade cinema passou a significar diversão garantida, desde que fosse com Marta. Então sugeria ver filmes na casa dele. Evitava levá-lo ao meu apartamento. Engraçado isso. Era como se não quisesse que Marta me visse com ele. Gostava muito de Marta, não sabia definir ao certo este sentimento. Marta dissera que me amava. Sentia um calor gostoso no corpo quando pensava nisso, me sentia viva. Mas não tinha coragem de namorar uma mulher. Gostaria de ter essa coragem. Seria feliz, com certeza.

Combinei com Jorge de sairmos para jantar no sábado à noite, ele dissera que me levaria num novo restaurante, recém inaugurado, que segundo comentários era ótimo. Gostava da companhia dele, era simpático, divertido, carinhoso, mas não o amava. Disso tinha certeza. Me sentia culpada, pois estava enganando o cara. Me sentia usando ele. Usando para esquecer outra pessoa. Nada nobre. Mas pensava estar fazendo a coisa certa.

------------------------------

Amanda passou a ser figurinha certa na minha vida. Permiti uma aproximação maior, mas nada de reatar o relacionamento que tivemos. Apenas amizade. E fazia questão de deixar isso bem claro para Amanda. Não gostava de dar falsas esperanças. Sabia que Amanda tinha esperanças, mas não as alimentava. Cortava qualquer iniciativa. Amanda me convidou para sairmos no sábado à noite. Um jantar. Disse que recomendaram um restaurante muito bom e queria conhecê-lo. Topei ir, ficar em casa sozinha não ia me ajudar em nada, então melhor me divertir um pouco.

Nenhum comentário: