quinta-feira, 11 de outubro de 2007

14 - Tentação irresistível

A semana transcorreu lentamente. A impressão é que sexta-feira à noite não chegaria nunca. Engraçado isso, quando queremos tanto algo, contamos os minutos, não, contamos os segundos para que chegue o momento desejado. Bobeira, porque o tempo é inexorável. Não é mais nem menos, apenas ele. Mas não queria saber disso, queria é que chegasse logo o momento de estar sozinha com minha deusa de cabelos de fogo. Gostaria que ela se apaixonasse por mim, sofro com isso, pois sei não ser possível. Essa constatação é por demais cruel. Isso me despedaça o coração. Infelizmente tenho de contentar-me apenas com sua amizade. Pelo menos posso ficar perto dela, olhar com amor seus olhos, admirar aquela boca suculenta, realizar-me com os constantes abraços que ela me dá, e que eu os recebo com imenso prazer. Beijar suas bochechas rosadas e sardentas. Perder-me naquele olhar verde, onde constantemente me afogo neles. Chega de pensar, isso não me leva a nada! Vamos à ação!

Finalmente o momento de irmos chegou. Resolvemos ir no meu carro, era mais espaçoso. Ri dela, parecia que ia ficar um mês fora pelo tamanho de sua bagagem. Ela fingiu ficar brava comigo e nesse clima de descontração seguimos em direção ao hotel fazenda. Foi uma viagem tranqüila. Engraçado como sempre temos assunto para conversar. A conversa flui com imensa facilidade. Isso me lembra algo que ouvi uma vez: "Se for casar, case-se com alguém com quem converse muito, pois quando acabar o fogo, ainda assim restará uma boa conversa." Chegamos.

- Boa noite, Jeremias. Disse para meu velho amigo.

- Boa noite, Marta. Saudades de você minha querida. Veio até mim e deu um abraço e um beijo na bochecha.

- Deixe eu te apresentar. Esta é Joanna, minha amiga. Joanna, este é Jeremias, meu amigão dos tempos de infância. Após as apresentações se cumprimentaram e nisso chega Fabiana, que vem correndo me abraçar.

- Saudades de você, Martinha! Que bom que você veio. Continuei em seu abraço e olhei para Joanna.

- Saudades de você também, Fabi. Quero apresentá-la à Joanna, minha amiga e vizinha. Quando disse a palavra "vizinha", Fabiana entendeu na hora quem era aquela mulher que estava comigo. E me deu uma olhada sacana. Segurei-me para não rir.

- Prazer em conhecê-la, Joanna. Martinha me fala muito de você. Falou sorrindo e deu um abraço em Joanna e eu quase dei um peteleco nela por dizer isso. Precisava dizer que eu falo de Joanna pra ela. Desse jeito ela me entregaria de bandeja.

- Igualmente, Fabiana. Respondeu Joanna.

- E D. Helena, onde está? Perguntei para Fabiana.

- Deu uma saída. Foi jantar num restaurante na cidade com as amigas dela.

- Que bom. E D. Isabel? Quis saber.

- Tá na cozinha, sabia que fui lá hoje e ela estava fazendo um certo bolo de cenoura com cobertura de chocolate? E toda feliz da vida. Me disse rindo.

- Humm... amo essa mulher. Me pegou de jeito pelo estômago. Dei uma gargalhada.

- Sim, ela pega todas nós.

Continuamos conversando por mais um tempo. Peguei a chave da cabana com Jeremias e estacionei o carro na garagem da cabana. Retiramos nossa bagagem e comentei com Joanna:

- Sabia que essa é a primeira vez que fico em uma dessas cabanas.

- Sério? Não, você ta brincando. Disse rindo.

- Não tô brincando não, é sério. Posso dizer que tenho um quarto cativo na casa grande. Sempre quis ficar nas cabanas depois que elas foram construídas, mas nunca deixaram. Entramos nas cabanas e Joanna foi comentando:

- Uau, adorei isto aqui. Toda equipada. Dá pra morar aqui. Falou demonstrando uma genuína alegria. Parecia uma criança feliz. E me olhava com aqueles olhos lindos. Ainda morro disso!

- É equipada mesmo. Vamos deixar as malas aqui e vamos saborear o café colonial daqui e aquele maravilhoso bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Falei sorrindo. – Tem problemas com a balança? Perguntei e nem a deixei responder. Continuei. – Se não, vai passar a ter. E soltei uma gargalhada que foi acompanhada por ela. Fomos até o restaurante e comemos de tudo, parecíamos criança fazendo arte. Notei que Fabiana nos observava de longe. Não consegui interpretar seu olhar. Parecia preocupada.

Eu dormi no beliche e ela na cama de casal, isso depois de muitas discussões porque ela queria dormir no beliche. Chegou a brincar de dormirmos juntas na cama de casal. Fiquei petrificada quando ela falou isso. Sabia ser brincadeira, mas mesmo assim a idéia mexeu comigo. Acho que não conseguiria dormir. Melhor o beliche mesmo. Pensei sorrindo.

Passamos o sábado todo nos divertindo. Passeamos a cavalo, fizemos uma das trilhas, levei-a até a minha favorita. Ficou encantada com a beleza do lugar e escandalizada com a imensa escadaria. Disse que na volta eu iria trazê-la no colo, porque se recusava a subir 116 degraus. Respondi que pra isso ela teria que fazer um regime. Quase me bateu. Mas adorei a brincadeira. Descansamos bastante após o almoço e quando o sol esfriou um pouco fomos à piscina. Verdadeiro teste de nervos. E acho que reprovei com louvor, pois não conseguia tirar os olhos daquele corpo escultural. Ver seu corpo apenas com um biquíni foi demais pra mim. Eu estava literalmente babando, queixo caído. Volta e meia ela me flagrava olhando pra ela. E dava um imenso sorriso. Acho que ela está me provocando. Queria que isso fosse verdade. Ah, a esperança, dizem que é a última que morre. Então está fazendo jus à fama. Brincamos muito na piscina, ela tentou me afundar várias vezes e eu afundava ela também. Mas meu corpo estava plenamente consciente da proximidade. Era uma tortura gostosa. Existe tortura gostosa? Bom, de qualquer forma eu estava adorando aquilo. Esta era a primeira vez que tínhamos essa proximidade, essa cumplicidade. Estarmos juntas o tempo todo, confesso que não imaginava que seria tão bom quanto estava sendo. Ela não lembrou do imbecil do Júlio nenhuma vez. Eu acho, porque em momento algum vi tristeza nos olhos dela. Parecia estar superando bem esta fase da vida dela. Foi excelente a idéia de trazê-la para cá. Poderíamos repetir mais vezes. Sentia meu coração feliz, transbordando de felicidade. Não estava com ela da forma como queria, mas apenas estar compartilhando estes momentos com ela me bastava. Isso já me saciava. Já tinha me acostumado com a idéia de sublimar este amor. E assim passou o sábado, cheio de emoções, ao menos para mim.

Domingo de manhã. Fizemos mais uma trilha e retornamos cansadas para a cabana. Descansamos um pouco e fomos almoçar. Depois ficamos deitadas na rede conversando. Mais tarde fomos novamente para a piscina. Dessa vez botei os óculos escuros, chega de dar bandeira, e assim poderia observá-la melhor, fingir que estava dormindo enquanto eu a "comia" com os olhos. Retornamos à cabana e fomos arrumar nossas coisas. Voltar para a rotina. Estava tão bom ali, não queria que acabasse esse momento. Estava arrumando minha mala quando ela pega meu boné e diz que vai ficar com ele. Digo que não e começo a andar atrás dela para recuperá-lo e ela se esquiva de mim, até que em um momento agarro ela de frente e ela fica com os braços para trás segurando ele e dizendo que não, que não iria devolvê-lo para mim. Nesse instante não percebemos e estamos na frente da cama eu recuo um passo e perco o equilíbrio e caímos na cama. Ela cai sobre mim. Sinto o peso de seu corpo junto ao meu. Meu coração acelera, parecendo sair do peito. Nossas bocas ficam a milímetros de distância. Fico sem ação. Olho em seus olhos e seu olhar me prende. Ela cola a sua boca na minha e fecho os olhos. Parecia um sonho, não acreditava no que estava acontecendo. Capturo sua boca com vontade, num beijo quente, molhado e cheio de tesão. Nossas línguas se enroscam se acariciando. Abraço ela com mais força e subo uma das mãos até seus cabelos e afundo minha mão neles. Eram macios, como sonhei que seriam. Fiz tanto este gesto nos meus sonhos. E agora estava com aquela cabeleira de fogo entre meus dedos. Sua língua percorre minha boca me dando um prazer alucinado.

2 comentários:

Unknown disse...

Estou adorando o conto...

thamys disse...

Amei a historia...
Conta mais...