Terminei meu expediente no consultório às dezessete horas e, de fato, eu precisava ir ao supermercado, pois não tinha nada pra comer em casa. Só que desta vez foi diferente, fui feliz da vida pra lá. E eu iria ver a minha deusa de cabelos de fogo. Ela tem aquelas sardinhas que eu amo. Dá vontade de dar um beijinho em cada uma. Iria enchê-la de beijinhos. Eu devo estar com um sorriso bobo na cara. Todo mundo ri pra mim. Entrei no supermercado e o coração querendo sair do peito. Nossa, tenho que controlar isso. E agora, faço as compras primeiro e vejo ela depois ou vejo ela agora e faço as compras depois? Ô, dúvida cruel! Sem dúvida nenhuma vou vê-la primeiro, não sei até que horas ela fica por aqui. Acho que esse vai ser o cafezinho mais gostoso da minha vida. Não que o outro não tenha sido, mas... aquele já acabou.
Perguntei por ela para uma funcionária, e disse-me que Joanna estava em sua sala, lá em cima. Por que as salas dos gerentes de supermercado tem de ser no mezanino?? Já notaram isso? Parece padrão. Será que é pra ficar vendo o movimento? Deve ser isso. Bom, cheguei na porta e dei uma leve batidinha. Não preciso nem dizer que meu coração batia dentro dos meus ouvidos. Ela parou o que estava fazendo e me olhou. Abriu um imenso sorriso. Me senti a pessoa mais importante do mundo nesse momento. Veio até mim me dando um abraço e um beijo na bochecha. Não preciso nem dizer que quase desmaiei, pois não esperava uma recepção, assim.... assim... tão... calorosa! Me disse:
- Marta, que surpresa maravilhosa. Achei que tivesse desistido de fazer suas compras aqui. Não apareceu mais.
Será que ela ficou me procurando nesse monte de corredores durante essas duas últimas semanas?
- Não desisti não. Estava viajando de férias. Respondi olhando aqueles olhos verdes maravilhosos. Pareciam duas esmeraldas. Jamais me cansaria de olhá-los.
- Ah, isso explica. Pensei também que não quisesse tomar o cafezinho comigo. Disse e olhou nos meus olhos. Um frio percorreu minhas costas.
- Claro que quero. Vim aqui por dois motivos, ou melhor, três motivos.
- Três??
- Sim, as compras, o cafezinho e você!
- Uau! Fico feliz em saber. Disse rindo. Me diz, quero saber de você. O que você faz na vida? Me perguntou carinhosamente.
- Sou dentista. Tenho um consultório no centro da cidade.
- Oras, vou trocar de dentista então. Disse rindo.
Até que não seria má a idéia de lidar com aquela boca maravilhosa. Só não sei se conseguiria fazer direito o serviço. Vai que eu trato do dente errado. Socorro!!
Ficamos conversando por quase uma hora, só parei mesmo porque vi a hora e já devia ser o horário dela ir embora. Não queria atrapalhá-la. Ela sempre me surpreende e não foi diferente dessa vez.
- Olha, Marta, eu sinceramente adorei você. Gostaria que pudéssemos ser amigas. Meu coração ficou feliz e ao mesmo tempo triste. Adorei pelo fato de poder participar da vida dela, mas triste por ser apenas... amiga! – Gostaria de convidá-la para irmos ao cinema no sábado. O que acha?
- .... (fiquei muda).
- Oh, desculpe-me. Você deve ter compromisso com o seu namorado e eu aqui querendo que.......
- Não... Interrompi. - Não tenho namorado. É que simplesmente não esperava pelo convite. Falei sorrindo. – Mas aceito sim. Vou adorar.
Ela soltou mais um daqueles belos sorrisos. Meu deus, ainda vou enfartar. Trocamos telefone e despedi-me dela. Fui fazer minhas compras feliz da vida. Tinha um encontro com ela. Tinha um encontro! Nem conseguia acreditar. Estava sonhando, tamanha felicidade que eu sentia. Foi a compra de supermercado mais deliciosa de fazer. Paguei por ela e fui pra casa cantarolando. Preparei uma refeição leve, tentei assistir um pouco de televisão, tomei um banho quente e fui dormir. Sonhei muito. E com a minha deusa de cabelos de fogo.
O dia seguinte foi normal, embora sempre corrido. Virou rotina ficar pensando em minha deusa. Quando percebia, já estava eu pensando nela. Cheguei em casa, fiz meu lanche e lembrei que não tirado o lixo. Droga! Tinha que ter feito isso ontem mesmo, teria que fazer isso agora ou senão ia começar a feder. Credo. Abro a porta para levá-lo para fora e quem eu vejo saindo do elevador. Ela! Ah, mais uma visão daquelas eu não agüento. Tô pirando de vez mesmo. Tô maluquinha, maluquinha. Mas ela continuava vindo em minha direção e fazia uma cara de espanto igual ou pior que a minha. A fitei com um olhar incrédulo e ao mesmo tempo surpreso. E a ouço falar:
- Marta! Você mora aqui? Perguntou com cara de toda assustada.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
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