domingo, 7 de outubro de 2007

9 - Joanna

Joanna estava em seu apartamento, com o controle remoto na mão, zapeando os canais, mas com o pensamento longe. Já era sexta-feira e não tinha mais visto a Marta. Estava pensando: Será que se eu aparecer ali, no apartamento dela, de repente ela vai gostar? Estou com uma vontade imensa de falar com ela. Estranho isso! Já tive e tenho várias amigas, mas nunca senti essa necessidade de querer ficar junto o tempo todo. Estou contando os minutos para sairmos juntas amanhã. Este fim de semana o Júlio estará de plantão. Por isso a convidei. Vou estar com o fim de semana livre. Ainda não tinha decidido qual filme assistir, mas isso decidiríamos na hora, nem sei o que está em cartaz. Espero que tenha algum filme bom. Logo depois do episódio da trombada, fiquei esperando ansiosamente que ela aparecesse para tomar o prometido cafezinho, e por duas semanas ela não apareceu. Achei que tivesse desistido da idéia. Afinal, por que ela iria voltar? Não tinha nenhum compromisso comigo. Ri dessa idéia maluca.

Ri da idéia que tive. Por que não? A convidaria para passearmos juntas no Parque Bacacheri no domingo de manhã. Sempre gostava de caminhar por lá. Este foi um dos motivos da escolha deste apartamento. Ficava a duas quadras do parque. Ele não era tão grande. Tinha um lago onde patinhos nadavam felizes. Era muito gostoso passear por ali. Era ótimo para fazer caminhadas. Quem sabe não poderiam combinar de todo domingo de manhã caminharem juntas. Imaginou só? Arrumando uma companhia para as minhas caminhadas, já que o Júlio odiava isso. Bom, espero que ela goste da idéia. Não custa perguntar, e o máximo que eu posso ouvir é um belo "não".

Bom, ela me convidou para tomar alguma coisa no apartamento dela, e disse que poderia aparecer sem avisar, então vou fazer isso mesmo. Assim conversamos um pouco, já que estou tão doida para falar com ela. É tão bom isso. Sinto como se a conhecesse há vários anos. Espero que ela também sinta a mesma coisa, porque não quero ser uma pessoa chata querendo impor a minha presença. Vou lá. Levantou-se e foi para o apartamento de Marta. Parou em frente à porta e sentiu o coração batendo forte e um frio na barriga. Estranho isso. Estou me sentindo como uma adolescente quando se apaixona pela primeira vez. Riu desse pensamento maluco.

Totalmente maluco. Tocou a campainha. Será que ela está em casa? Se perguntou. Nesse instante a porta se abre e Marta, vestindo um shortinho e uma regata justinha ao corpo dá-lhe o maior sorriso. Ela tem um sorriso lindo. Pensou Joanna.

- O... oi. Tu.. tudo bem? Gagueja Joanna.

- Olá, estou ótima. Entre! Convidou Marta, que estava sem chão. Não esperava por esta surpresa. Mas tinha amado a visita. Estava trêmula. Preciso me controlar, ou vou dar bandeira pra ela. E não quero isso. Primeiro preciso sentir em qual terreno estou pisando. Preciso agir com cautela. Pensou.

- Eu estava passando por perto e pensei em te fazer uma visitinha. Brincou Joanna, rindo.

- A-há... resolveu aceitar meu convite para tomar alguma coisa. Fui dizendo e a convidando para irmos até a sala. Sentamos. E então disse: - O que prefere, um vinho, um suco, um café, um chá, água? Perguntei rindo.

- Hummm... tantas escolhas, mas aceito um suco.

- Tenho de laranja, uva e maracujá. Qual prefere? Perguntei olhando para ela. Ela estava bem descontraída. Sempre a via em seus terninhos. Estava de bermuda e uma camiseta, bem à vontade. Marta, desvie o olhar das pernas dela. Adverti-me. Não dê bandeira, mulher. Que é isso! Mas são pernas lindas, lisinhas.... ai que vontade de passar a mão e beijá-las.

- Aceito de maracujá. Dizem que é bom pros nervos. Disse e soltou uma gargalhada gostosa que preencheu todo o ambiente. Amava essa gargalhada. Meu Deus, estou apaixonada por essa mulher de cabelos de fogo. Quero-a pra mim, preciso dela.

- Já tá assim, é? Precisando acalmar os nervos. Comentei e ri também. Estávamos com os olhares presos. Um no outro. Quebrei o contato. – Vou buscá-lo. E dirigi-me a cozinha, tremendo por dentro.

Peguei os sucos, mas antes me recostei por alguns segundos na pia e fiquei pensando. Minha vontade era de ir até lá abraçá-la e beijá-la, beijar cada milímetro daquele corpo maravilhoso, um beijinho em cada sardinha que ela tinha. Já tive várias mulheres, mas nunca senti por nenhuma esse fogo interno que me queimava. Essa coisa quase incontrolável de querer amá-la, querer passar a vida toda ao lado dela. Chega de pensar D. Marta, volte pra lá e aja naturalmente. Controle-se. Não faça nenhuma besteira. Pensando assim, voltei à sala. Entreguei o suco a ela e ela me brindou com mais um daqueles belos sorrisos que eu passei a amar.

- Espero que eu não esteja te atrapalhando, pois voc..... Ela falava.

- Não. Interrompi. - Estava vendo a programação maravilhosa que tem na tv. E ri. – E você não me atrapalha, e pode aparecer aqui sempre que te der vontade que eu vou adorar. Complementei.

- Ufa! Que bom. Ela falou. – Assim fico mais tranqüila, porque a ultima coisa que quero é te atrapalhar.

- Você jamais me atrapalha, Joanna. Disse e fiquei olhando para aquela boca carnuda, meu objeto do desejo. Linda!

- É o seguinte, estive pensando em te convidar para caminharmos no parque no domingo de manhã. O que você acha? Ela me perguntou. E estava olhando em meus olhos. Posso dizer que dessa vez ela me pegou de jeito. Sorri e respondi:

- Humm... adorei a idéia. Eu também gosto de caminhar lá. Sempre vou aos sábados e domingos. Aceito sim!

- Que bom, mas pena que aos sábados eu não possa ir em todos, pois trabalho um sábado sim e um sábado não.

- Então vamos naqueles que você possa ir. Sobreviverei aos que você não for. E dei um dos meus melhores sorrisos.

- Combinado, parceira de caminhada. Disse Joanna.

Conversamos sobre um monte de coisas, a conversa fluía, e ríamos muito. Eu constantemente me repreendia pois quando percebia já a estava "comendo" com os olhos. A necessidade que eu tinha de sentir seu beijo, seu gosto me assustava. Estava lidando com algo muito forte. Um sentimento que nunca senti, avassalador. Quando ela foi embora, nos despedimos com um abraço e senti vontade de nunca mais largá-la. Ela me deu um carinhoso beijo na bochecha. A minha vontade era de virar o rosto e receber o beijo na boca. Nunca tive de me controlar tanto com uma mulher. Compreendi o que estava sentindo. Era amor! Eu amava aquela mulher! Precisava dela para viver. Estava perdida, pois não sabia o que ela sentia por mim.

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