Domingo à tarde. Estava pronta para fazer minha caminhada. Cabelo amarrado num rabo de cavalo, boné, bermuda, camiseta e tênis. Estava pronta para ação. Saí do apartamento e fui em direção ao parque. Ainda pensava no jantar de ontem. Precisava me conformar definitivamente que Joanna jamais seria minha novamente. Cheguei ao parque e continuei caminhando e pensando. Lembrei que Amanda novamente tentara um contato mais íntimo. Tentou beijar-me. Não permiti. Não seria entrando nesse relacionamento que eu esqueceria Joanna. Joanna, saudades de você minha deusa de cabelos de fogo. Sinto tanto a sua falta. Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Controlei para não chorar. Caminhar chorando, era só o que faltava.
Joanna passou por mim e me cumprimentou. Levei um susto, mas retribuí a saudação. E ela seguiu em frente. Estava com os cabelos presos e boné. Caraca, meu coração quase pulou fora. Ela continuava uns vinte metros a minha frente. De repente a vi torcer o tornozelo e levar um tombo. Corri até ela, preocupada. Cheguei nela e fui perguntando:
- Joanna, tudo bem? Perguntinha infame, a pessoa está ali caída, óbvio que não está tudo bem, mas acabamos perguntando mesmo assim.
- Oi Marta, nada bem, torci meu tornozelo, e está doendo muito. Respondeu e fez uma cara de dor.
- Vem, eu te ajudo. Estendi a mão para ela. Ela aceitou e pegou minha mão.
Tremi com o contato. Ajudei-a a levantar. Ela se apoiou em mim, passou o braço ao redor do meu pescoço, pois não estava conseguindo pisar no chão com o pé torcido. Fomos caminhando lentamente até o apartamento dela. Mas durante todo este trajeto estive consciente daquele corpo colado ao meu. Deus, como estou conseguindo sobreviver sem este contato? Perguntei-me. Precisava disso para viver. Era vital para mim.
Entramos em seu apartamento e fechei a porta e ela continuou com o braço em volta do meu pescoço. Tentei levá-la até o sofá, mas senti resistência. Olhei para ela e disse que tínhamos que ver como estava o pé. Ela passou o outro braço em volta do meu pescoço. Ficamos de frente nos encarando.
- O que você quer, Joanna? Perguntei.
- Você! Ela respondeu e tentou me beijar. Desviei, o beijo pegou na bochecha.
- Por quê você está fazendo isto? Perguntei com o coração aos pulos. Ela queria me enlouquecer, era isso?
- Porque descobri que não consigo viver sem você. Quero você. Desejo você. Eu AMO você. Ela falou me olhando nos olhos e senti meu corpo esquentar. Meu sangue corria rápido nas veias. Minha garganta secou. Engoli em seco. Minha vontade era beijá-la. Mas tive medo de sofrer outra rejeição. Desfiz o contato tirando os braços dela ao redor de meu pescoço.
Fui até o sofá e me sentei. Ela mancou e fez o mesmo.
- Por que isso agora? E aquele homem que estava com você ontem? E o seu medo de um relacionamento homossexual? Disparei um monte de perguntas.
- Quantas perguntas. Ela sorriu. - Mas vou respondê-las. Isso agora porque eu descobri que te amo. Aquele homem ERA meu namorado, terminei ontem à noite ao descobrir que te amo. E quanto ao meu medo de um relacionamento com você, não existe mais porque te amo.
Fiquei olhando para ela sem acreditar no que eu estava ouvindo. Já tinha me dito quatro vezes que me amava. Eu estava radiante, pulava por dentro de alegria, mas o medo persistia.
- E aquela mulher que estava com você? Ela me perguntou.
- Era Amanda. Só temos amizade, nada mais. Respondi encarando aqueles olhos verdes. Minhas esmeraldas.
- Mas parece que pra ela não é só amizade. Joanna comentou se lembrando do ato possessivo.
- Mas para mim é apenas isso. Respondi quase não conseguindo conter a vontade de beijá-la.
Ela se aproximou de mim, passou sua mão em meu rosto, delineou minha boca com seu dedo. Não resisti e o beijei. Ela se aproximou mais. Passei o meu braço pela sua cintura e levantei do sofá trazendo ela comigo. Subi a outra mão até seus cabelos. Soltei eles e enfiei minha mão naquela cabeleira cor de fogo. Gemi de prazer com esse contato. Com uma mão em sua cintura e a outra em sua nuca trouxe ela para mim, e a beijei, um beijo sofrido, cheio de saudades, mas aos poucos foi se tornando sensual, cheio de desejo. Ela enfiou a mão por baixo da minha camiseta e acariciou minhas costas, me puxou para ela. Tirou a minha camiseta, meu sutiã, fiz o mesmo com ela. Retiramos o restante de nossas roupas. Nos abraçamos e o contato de nossos corpos nus, me enlouqueceu. Soltei um gemido e ela também. Nos beijamos novamente, nossas línguas se exploravam mutuamente. Interrompi o beijo e fui beijando o caminho até seu pescoço, subi até sua orelha e dei uma leve mordiscada, ela gemeu e me abraçou mais forte ainda. Virei ela de costas e passei minhas mãos por sua barriga, subi uma mão até sua boca, passei meus dedos por sua boca, Joanna sugou eles, beijei sua nuca, suas costas, desci minha mão até seu sexo, senti ele encharcado. Ela gemeu. Fomos para seu quarto, com cuidado para não machucar mais seu pé torcido, nos deitamos e dei dedicação especial aos seus seios, circulei seu mamilo com minha língua, provoquei ele, ela gemeu mais ainda. Dizia que não agüenta mais, mas continuei minha exploração, fui para o outro seio, fiz a mesma coisa, desci beijando sua barriga até chegar ao seu sexo. Seu cheiro me deixou inebriada. Precisava do seu néctar. Joanna abriu as pernas e eu me deliciei naquele pedaço do paraíso, lambi, suguei, penetrei com a língua, ela enlouquecia e arqueava seus quadris, intensifiquei o movimento, senti seu corpo tremer fortemente e ela explodiu num gozo intenso. Fiz o caminho inverso, subi beijando e lambendo seu corpo até chegar em sua boca onde a capturei num beijo alucinado de desejo. Disse a ela que não acabou. Beijei seu pescoço, voltei minha atenção novamente aos seus seios, minhas frutas suculentas, provei-os com carinho e vontade. Desci minha mão até seu sexo e a provoquei acariciando ele, ela gemeu loucamente e me pediu para fazê-la minha. Penetrei sua cavidade quente e molhada e comecei a fazer o movimento ritmado de vai e vem. Joanna se contorceu toda e pediu para eu ir mais rápido. Aumentei os movimentos cada vez mais até ela dar um grito alucinado e tremer todo o seu corpo. Senti-o relaxar. Retirei meus dedos suavemente. E a abracei trazendo-a para cima de mim. Ficamos ali um tempo, esperando nossas respirações voltarem ao normal.
- Eu amo você Marta. Como nunca amei ninguém. Ela me diz com seus olhos presos aos meus.
Meu coração acabou de receber alta. Sorri com esse pensamento.
Ela continua. - O que eu sinto com você é intenso, nunca tive tanto prazer desta forma. Só você consegue fazer meu corpo tremer desse jeito.
- Folgo em saber. Respondi rindo e sapecando um beijo na sua bochecha. - Eu também te amo, muito, mas muito mesmo.
Ela me deu um beijo intenso e recomeçamos as carícias. Nossos corpos se inflamaram novamente e desta vez ela assumiu o controle, fiquei à mercê das suas vontades. Ela fez eu ir ao céu, com direito a retorno várias vezes. O que sentíamos era um fogo incontrolável. Passamos a noite nos amando. Até que nossos corpos saciados e cansados, mas felizes, dormissem.
Acordei. Estendi meu braço para alcançá-la, mas ela não estava mais na cama. Senti meu corpo gelar, meu coração se apertar e me bateu um desespero. De novo não. Eu não suportaria. Alguns segundos depois a vi entrando com o café da manhã numa bandeja. Alívio. Sorri para ela. Não mancava. Não mancava?!
- Você não está mancando? Perguntei, pois acabei de lembrar-me do seu tornozelo.
Ela me deu um sorriso sacana e deu um leve sapateado. Foi armação. Não existiu nenhuma torção no tornozelo. Mas que danada! Amava essa mulher de cabelos de fogo. Ela veio até mim e me deu um beijo. Coloquei a bandeja do lado e a puxei para mim, beijei com vontade, com desejo, com amor. O desjejum ficou para depois. Nossa necessidade era mais urgente. Ah, hoje era segunda-feira, mas enforcamos. Ligamos avisando que tinha acontecido um imprevisto. Tínhamos coisas mais importantes para fazer. E deliciosas.
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Seis meses se passaram, seis meses de pura felicidade. Tínhamos uma sintonia incrível. Estava em meu escritório e lembrava-me de meu plano. Armei de torcer o tornozelo durante uma caminhada no parque. Fiz plantão em minha porta aquele domingo desde manhã. Já era de tardezinha e já estava quase desistindo quando ouvi a porta de Marta se abrir, espiei pelo olho mágico e ela estava vestida para dar sua caminhada. Enchi-me de felicidade. Era o momento, esperei mais dois minutos, tempo suficiente para que Marta descesse pelo elevador e fui atrás. Se minha idéia não desse certo pensaria em outras mil coisas, tinha decidido reconquistá-la. E consegui. Marta teve a idéia genial de fazer uma porta de ligação entre os dois apartamentos, estávamos ora no meu, ora no dela. Ainda não tinha saído do armário, mas planejava fazer isso o quanto antes, queria viver livremente com a mulher que eu amava. Precisava dizer ao mundo que amava aquela mulher intensamente.
***FIM***
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Queridas leitoras,
Aí está o conto completinho como foi prometido. Espero que tenham apreciado ele. Foi, eu diria, a minha estréia.
Agradeço os e-mails enviados (e que foram respondidos com muito carinho), os comentários postados no blog (não respondi pq não tinha um endereço de e-mail..rsrs) e os elogios recebidos pelo MSN.
Como prometi, em breve - domingo para ser mais exata - posto o meu segundo conto e espero que gostem deste também.
Um beijo no coração de cada uma
Gatafield
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
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2 comentários:
MEUS PARABÉNS!!!
Adorei sua maneira de escrever.
Beijos
Gatafield, bem, agora não não há nenhum resquício de dúvidas quanto ao seu enorme talento. Mais uma história maravilhosa, capaz de prender o leitor, aliás, as leitoras. Confesso que li inteira, não consegui deixar pra outro dia. Um abraço. Eva cruz
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