- Mo... moro si... sim. Gaguejei. – E o que você faz aqui? Quis saber.
- Eu moro aqui também. Não acredito! E riu. – Somos vizinhas! Mas isso é maravilhoso. Falou me olhando com aqueles olhos que passei a amar.
- Foi você quem se mudou recentemente pra cá? Perguntei ainda não acreditando na sorte grande que eu tinha tirado.
Deixei o lixo num cantinho. Depois eu daria um jeito nele.
- Sim, me mudei tem três semanas. Respondeu. – Comprei este apartamento por causa da ótima localização.
- Sim, é muito boa mesmo. Quer entrar? Aceita tomar alguma coisa? Fui perguntando totalmente aturdida.
- Não minha querida, estou me sentindo um prego. Respondeu para minha total decepção. – Mas aceito em outra ocasião. Faço questão. Falou sorrindo. Um sorriso maravilhoso. Como ela é linda e é minha vizinha! Ainda não conseguia acreditar nisso. Eu estava completamente surpresa com o fato.
- Está bem. Quando quiser é só aparecer. E não precisa avisar. Falei sorrindo e dando carta branca a ela.
- Aparecerei sim. E deu uma gargalhada gostosa. Ri junto. – Até mais, Marta. Veio em minha direção e deu-me um beijo na bochecha, olhei para ela, sorri e retribui. Eu estava tremendo. Minha vontade era beijá-la na sua boca linda. Ela entrou em seu apartamento e eu fiquei ali, parada, igual a uma estátua, ainda não acreditando nisso. A minha deusa de cabelos de fogo, minha vizinha? Será que eu estou sonhando? Isso era bom demais. Não! Era maravilhoso. E eu tenho um encontro com ela no sábado. Meu deus, que felicidade a minha. Peguei o lixo e fui cantarolando até o depósito. Voltei pro apartamento, minha vontade era de pular, de gritar, de dizer pra todo mundo a minha alegria. Esta noite foi difícil dormir. Estava muito agitada.
Fui trabalhar no outro dia cantarolando. Quando cheguei no consultório, Carol me fitou com cara de "não to entendendo". E falou:
- Nossa, que alegria! Pelo visto viu o passarinho verde hoje. Falou rindo e balançando a cabeça como quem diz: essa aí pirou de vez.
- Humm.... hoje nada me tira do sério, Carolzinha. Nada. Disse com um sorriso de orelha a orelha.
- Vixe, a coisa é mais séria do que pensei. E deu uma risada gostosa.
- É menina, acho que o cupido mandou uma flecha certeira no meu coração.
- É? E posso saber que é a felizarda? Perguntou querendo saber. Ah, Carol sabia que eu me envolvia com mulheres. Além de secretária passou a ser uma amiga, pois grande parte da minha decepção que tive com Amanda foi com ela que me amparava.
- Minha vizinha! Falei rindo.
- Sua vizinha? Como assim?
- Minha vizinha, que mora no outro apartamento no mesmo andar do meu prédio.
- Mas... não tem umas três semanas que foi ocupado esse apartamento? Você me comentou isso, disse Carol, me fitando espantada.
- Sim, e por incrível que pareça, só descobri ontem. Mas o restante da história você não sabe. Menina, deixa eu te contar. Espera aí. Meu paciente ainda não chegou? Perguntei pois tinha hora marcada naquele horário.
- Ligaram um pouquinho antes de você chegar. Não poderá vir agora, foi remarcado para tarde. Disse-me preocupada, pois sabia que eu "adorava" quando acontecia isso.
- Mas, que maravilha. Falei eufórica. Carol me fitou sem entender a minha alegria. Ela pensou que realmente a "flechada" do cupido era séria mesma, para eu nem me importar com a desistência. – Então tenho tempo para te contar tudinho. Falei feliz da vida.
E então contei tudo, sem omitir nada, inclusive do encontro marcado para sábado. Ela riu, mas riu muito das minhas trapalhadas. Carol estava comigo desde que abri o consultório, era casada e tinha dois filhos. Quando contei-lhe sobre minha preferência pelas mulheres ela me olhou com aqueles olhos bem arregalados e disse: Você é muito feminina para ser isso. Como pode? Sempre imaginei que as lésbicas se vestissem e se portassem como homem. Aí tive que explicar pra ela que não, que cada uma adotava o estilo que lhe agradava mais. E que o jeito dela pensar era puro estereótipo. Quando terminei de contar, ela me perguntou:
- Mas, Dra. Marta, esta mulher também é como você? Perguntou preocupada.
- Não sei, Carol. Se não for, vou sofrer muito. E nem mesmo sei se ela tem namorado ou namorada. Falei de repente sentindo uma tristeza imensa, contrastando com a minha outrora alegria.
- Bom, espero sinceramente que ela seja. Quero ver você feliz de novo. Chega de ficar triste pelos cantos por causa daquela ingrata da Amanda. Me falou olhando para minha carinha tristinha. – Acabou de chegar seu próximo paciente. Comunicou-me.
- Vou atendê-lo então. Mande-o entrar, por favor.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
Que delícia de história!!!
Adicionei o blog no " Favoritos",
entro sempre atrás das novidades.
Continue assim...
Bjs
Olá!
Estou adorando as atrapalhadas da Marta...
Mas adorei a parte que ela adoraria beijar as sardinhas que Joanna tem...risos. Sei que foi apenas falta de atenção, mas não pude evitar as risadas...
Beijos,
Valéria
Postar um comentário